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lunes, 6 de agosto de 2012

É na Terra, não é na Lua: os Açores perdidos

Filme: É na terra, não é na Lua
Género: documentário
duração: 196 min.
Realização: Gonçalo Tocha
A Ilha do Corvo é a mais pequena e a mais esquecida do arquipélago dos Açores, habitada por apenas 450 pessoas, embora já tenha chegado a ter entre 300 e 900 habitantes a viverem num ambiente belo mas inóspito, lidando com as suas diárias alegrias e problemas.
Foram filmados todos os momentos umportantes na vida da ilha e dos ilhéus: as tempestades, o abastecimento da comida, a chegada e a partida do avião, a produç\ao do qeijo caseiro, o baptismo de uma menina, as antigas tradições populares, a sincera e profunda religiosidade das pessoas  mais velhas, a matança do porco como um motivo de as pessoas se reunirem, trabalharem e ajudarem umas as outras, as conversas do café, as memórias, os fragmentos das vidas das pessoas, os momentos felizes e dolorosos nas vivências dos habitantes da ilha, a sua solidão, o isolamento em quee vivem, a resignaç\ao com a impossibilidade de implementar algumas mudanças. Vivendo em condições muito humildes, algumas das pesssoas da ilha conseguem ser optimistas e felizes.
O motivo da boina azul escura, tradicional dos baleeiros, que a senhora Inês Inêz  fez para o realizador do filme é uma excelente metáfora da criação, da luta contra a monotonia diária por um lado e da simplicidade e boa vontade das pessoas por outro. O exemplo de uma outra habitante da ilha, que faz o queijo "com ternura e carinho" é um detalhe que oferece aos espectadores um bom material para a reflexão, porque sobretudo aqueles que vivem nas grandes cidades podem sentirr-se cada vez mais afastados uns dos outros e de alguns valores tradicionalmente aceites e respeitados. Investindo a sua ternura e carinho em tudo o que faz, ainda que se trate de um simples queijo, a participante do filme mostrou que há sempre motivos e formas para se fazer bem aos outros sem pedir nada em troca.
Uma história muito bem conseguida e contada, em termos de som e de imagens, este filme representa uma experiência única de 450 anos de vida desta ilha, que parece abandonada e perdida no meio do nada, mas que a pesar de tudo "é na Terra, não é na Lua" que existe cheia de problemas e de esperanças ao mesmo tempo.
A única coisa que poderia ter sido melhorada no filme são as vozes dos narradores que soam muito apáticas e muito neutras, podendo ter sido escolhidas algumas vozes mais impactantes, como das que se costumam ouvir nos programas documentários sobre a natureza e as terras desconhecidas.