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sábado, 29 de septiembre de 2012

mudanças e vida quotidiana

VIEIRA, Alice (2009), Lote 12 2º Frente, Editorial Caminho, Lisboa
Descrever coisas da vida quotidiana, tais como a mudanã de casa e da escola,  falar sobre a decisão de se comprar um apartamento em vez de se continuar a pagar a renda ao senhorio, lidar com a morte de seres queridos, abordar o assunto do insucesso escolar e dos problemas familiares, da emigraç\ao portuguesa, da solidão das pessoas mais velhas nas grandes cidades e nas relações interpessoais, explicar alguns pormenores importantes na História de Portugal e ao mesmo tempo alertar as meninas para algumas mudanças no seu corpo, é possível num só livro, tal como o mostra Alice Vieira neste breve romance.
Narrada pela Mariana, uma adolescente de doze anos, a história de uma típica família portuguesa que muda de casa traz ao leitor uma visão interessante do mundo que rodeia a protagonista, Mundo esse, sentido pelos diversos cheiros específicos que fazem parte da vida quotidiana, integra em si a avó Elisa, a tia Magda, os pais da Mariana, a sua irmã pequena Rosa, a memória da falecida avó Lídia, algumas amigas e vários adultos. Neste livro é explicado às crianças, que as mudanças na vida são necessárias, e que por mais estranhas que nos pareçam no início, têm as suas desvantagens e as suas mais-valias. Assim aconteceu também com a nova casa da família Fonseca, situada na Rua projectada à Praceta B, num Lote 12 2º frente em Lisboa. Uma rua impessoal, num bairro não identificado, uma casa que cheira a novo e a limpo convidam os seus moradores a fazerem um esforço a "darem gente à casa", isto é a atribuírem-lhe uma identidade única, uma marca personalizada e reconhecível,por causa da qual será mais agradável viver-se ali.
No caso da Mariana isso torna-se fácil, porque na nova zona ela cria amizades com a Susana, a Cláudia e a Isabel, embora não se tenha esquecido da Rita, sua amiga de infância, a quem escreve cartas e passa uma passagem de ano.
Este livro toca em alguns problemas que afectam a sociedade portuguesa actual: o crédito de habitaçaõ e até que ponto esta é uma decisão prudente nos tempos que correm, o insucesso escolar de um menino de família problemática (que tem uma mãe com problemas nervosos e um pai que bebe muito e bate nele), pode levantar polémica sobre a necessidade e forma de se falar na primeira menstruação das meninas, mas também ensina um pouco sobre a solidariedade (nas reflexões que a protagonista partilha com as suas colegas da turma sobre como é que seria o Natal do Jorge, o aluno problemático, no comportamento do pai da Mariana com o seu vizinho Sr. Guerreiros etc.). O romance ensina também que não é bonito ser-se bisbilhoteira, que não se deve ser bom apenas no Natal e no Ano Novo, que os irmãos mais velhos devem tomar conta dos mais novos, ter paciência com eles e educá-los, tal como a Mariana faz com a Rosa.
Entre alguns pontos tal vez menos desenvolvidos deve salientar-se a ideia da preocupação da protagonista com os problemas do Jorge, podendo ela ter feito alguma coisa concreta para fazer o seu Natal mais feliz (enviar-lhe um cartão de parabéns, indo a visitá-lo por exemplo), mas o romance não aprofunda este pormenor.
Um outro ponto menos  elaborado é a descrição detalhada da composição da Mariana sobre Viriato que depois não provoca nenhuma reacção na escola e parece estar no livro apenas para os leitores conhecerem esta parte da História portuguesa.
Reproduzindo fielmente a linguagem quotidiana

lunes, 24 de septiembre de 2012

o meu castelo iluminado

 
 

águas mágicas

 

vida enclausurada

 
 

olhando pela árvore

 

arvore a abraçar e luzes a com


 

magia das fotografias desfocadas (da minha autoria)




martes, 18 de septiembre de 2012

Édipo revisitado

Sófocles, (2009) Rei Édipo, Edições 70, Lisboa, 157 pp.

Muito mais do que uma recepção literária do célebre mito clássico sobre o governador da cidade de Tebas que matou o seu pai e casou-se com a sua mãe,o "Rei Édipo" de Sófocles coloca perante o público  a problemática da posição do indivíduo no mundo, a sua insignificância face ao destino e à vontade dos deuses, debruçando-se também sobre a transitoriedade do poder e da glória humana, a tragédia que surge por causa da inevitabilidade do cumprimento do oráculo, a culpa e a tentativa da justificação do erro cometido.
Embora hoje em dia o nome de Édipo se relacione muitas vezes com a vertente freudiana da psicanálise e com o fenómeno do "complexo de Édipo", esta personagem não é apenas um vulgar parricida que mantém uma relação incestosa com a  mãe, apresentada nesta obra com toda a complexidade da sua personalidade, com toda a justiça com que governa na cidadede Tebas, com todas as suas dúvidas e com todas as suas reflexões, que fazem com que ele não seja um herói perfeito e que ajudam a que se vejam melhor a sua vertente humana e a sua grandeza e miséria interiores.
Esta obra tem também uma grande força didáctica, ensinando-nos que "é que eu entendo,que o mal, se encontra um caminho justo, pode transformar-se num bem completo".Estaspalavras, ditas pela boca de Creonte, têm um efeito quase cristão, porque deixam sempre aberta a possibilidade da redenção e da correcção do mal.
Revelando uma grande saabedoria  sobre a transitoriedade dos bens terrenos e do lado negativo do poder,da glória e da riqueza, e do prestígio entre os homens, Édipo dirige-se a todos nós apelando á nossa consciência: "ó, riqueza, ó, poder, ó sabedoria acima do comum,nesta vida por cobiças agitada, como é grande a inveja que vos espreita".Nestacitação vê-se que Édipo recomenda um maior auto-conhecimento a todos os homens,implicando a ideia de que a modéstia e simplicidade do coração não fomentarão sentimentos mesquinhos nas almas humanas. O protagonista do drama reconhece também as tentações perante as quais se encontram os governantes e os poderosos, recomendando desta forma muita prudência e sabedoria ao assumir algum cargo na sociedade.
"Repelir um amigo honesto,entendo eu que éo mesmo que desperdiçar a própria vida que em cima de tudo nos é cara. Só o tempomostraa justiça de um homem, a sua perfídia basta um dia para a conheceres (p.94) Estas afirmações de Creonte são apenas algumas das grandes verdades sobre a condição humana, os seus vícios e virtudes que são verificáveis no tempo e que não permitem que se tirem conclusões precipitadas sobre ninguém. A importância da amizade, comparada com a da própria vida nesta obra é também uma das constantes do mundo cla´ssico, colocando a honestidade e a proximidade do outro ser humano  e nós num patamar muito alto. Trair esta ideia conduz ao sentimento trágico da vida humana e à sua profunda infelicidade.
" Assim, aos olhos dos mortais que esperam ver o dia derradeiro, ninguém pareça ser feliz, até ultrapassar o termo da vida,isentoda dor" (p.151).O que o coro anuncianeste fragmento do texto dramático é a transitoriedade da felicidade do indivíduo, dos seus méritos,das suas culpas, do seu heroísmo  ouda sua miséria, sendo todas estas características insignificantes perante a grandezadaeternidade eainevitabilidadedamorte.
Com uma apresentação crítica da apreciação do mito, da obra, das personagens e sobretudo de Édipo, com uma bibliografiaselecta e notas esclarecedoras, estaedição é de uma grande ajuda aos estudantes e aos que desejam aprofundar os seus conhecimentos da cultura clássica, fazendo com que se recupere e rehabilite um pouco a imagem deste grande herói trágico do mundo grego, sem secair na banalidade daenfatização da sua relação amorosa com a mãe, que foi apenas uma das razões da sua queda.



































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lições de amor, crítica de um livro russo

Игумен Макарий (Маркиш) (2008) Уроки любви, Данилов мужской манастир, Даниловский благовестник, Москва, 293 стр.
Не все уроки должны наводить учеников на скуку. Не все знания которые мы усваиваем нам нужны  для отметки в школе. Не всё что мы изучаем можно выучить иѕ книг- Вот с любовию именно так и получается, основное „образование“ по этом самом важном предмете в жизни мы должны получить в семье е из нашего жизненного опита, а эта книга, „Уроки любви“, написана очень простим языком, понятним для молодежи, объясняет в чем влюбленность оличается от любви, как и по чему нелзя „взять все от жизни“, почему нада подождать с началом интимной близости до брака и обсуждает другие интересные и важные вопросы на тему любви.
 В этой книге тоже реч идет о страстях, о „свободной любви“, „безопасном сексе“, „браке без венчания в церкви или без регистрации в ЗАГС-е и многих других искушениях современной эпохи е о том как нада вестись чтобы  человек нашел свое счастье и одну Богом данную и благословенную любовь.
 „Уроки любви“ говорят нам что венчание  это непросто „печать в пасспорте“  и что брак не становится могилой любви, а что то действительно „дорога в небо“ и что „путь к счастию непрост и требует немалыџ усилий. Для православных християн любовь, брак и семья представляют  большой крест и свободную жертву, борьбу со своим эгоизмом и гордостю которая ведет ко смирению и настоящей и полноценной воможности полюбить  мужа или жену и спасаться вместе.
 В этих шестнадцать уроков и маленком приложении автора о себе, содержанные многие важные лекции для жизни каждого человека, а говорится тоже и о православии как о культуры  и религии любви и в этом оно отличается от всех осталных культур и религий в мире.

lunes, 17 de septiembre de 2012

A Sina por Anamarija Marinovic

A Sina
- Anda cá, linda menina. Anda cá meu amor!- chamava-me e acenava-me uma cigana, uma senhora idosa daquelas sempre vestidas de preto com lenços na cabeça que fazem lembrar as avós sérvias quando estão de luto, uma  daquelas que sempre passeiam pela zona da Alameda, por Belém ou à volta do Parque Eduardo VII. Uma  das que há já seis anos me viu  apanhar o autocarro que levava os turistas para o aeroporto, e a carregar uma mala grande, podendo prever que iria viajar para longe.  Claro, com uma mala daquele tamanho não ia à Sintra, com certeza.
- Mas eu não preciso em de óculos de sol, nem de malas, e além disso, estou com muita pressa.
- Anda, cá, coração! Anda ler a sina, amor!
- Desculpe, eu não acredito em sinas e estou mesmo com pressa.
-Anda cá, acredita, que é verdade, minha linda!
Não sei que magias terá usado a senhora, para não me deixar passar e para começar a demonstrar-me as suas artes e sabedorias ancestrais e bem praticadas.
- Tu és uma pessoa muito justa e certinha e direitinha, meu amor. E tens sofrido muito na tua vida.
Tendo-me revelado uma verdade irrefutável, daquelas que a avozinha deverá ter repetido no mínimo quarenta e três vezes a toda a gente naquela manhã, mudando apenas a palavra "menina" por "senhora" e o "tu" por "você". Fiquei convencida de que tinha na minha frente uma sábia muito desocupada, que à moda antiga, apelava à vaidade de cada um, contando-lhe aquilo que gostava de ouvir. Embora nunca tenha conhecido uma pessoa que se considere injusta ou que não tenha sido um grande sofredor e vencedor no percurso da sua vida, esta é sempre uma táctica boa para as ciganas, magas, leitoras da palma da mão ou outras comunicadoras com o Além, se aproximarem das pessoas e que, sem se darem conta, lhes extraírem a informação útil, a partir da qual vão construindo a sua narrativa acerca do passado e do futuro de quem têm na sua frente.
- Desculpe, senhora, estou com pressa, tenho que ir. E não respondi nada em relação ao primeiro comentário da senhora de preto e de olhos curiosos, que andavam à cata de alguma particularidade minha.
- Há uma mulher mais velha na tua família chamada Maria, do lado do teu pai que te rogou uma praga.
(Quem não tem uma mulher mais velha na família do lado paterno? Se não uma avó, então uma tia, uma parente qualquer e, para além disso, o nome de Maria era o mais seguro para aparecer na conversa, porque estamos na Europa cristã e as gerações antigas eram, pelo que parece, muito mais religiosas e muito mais respeitadoras dos calendários e nomes de santos). Na minha família, do lado do pai, andaram por aí umas quantas Marias, mas não me consta que nenhuma me tenha rogado pragas, bênçãos, palavrões ou terminologia carinhosa e adocicada, porque quando eu nasci ou eram demasiado velhas ou estavam mortas e enterradas há muito tempo).
- E essa praga que te foi rogada, faz com que o teu corpo suporte muitas dores, que tu não mereces, minha menina de alminha boa e pura.
Se  ela esperava que eu agora fosse cultivar toda a raiva no coração contra essa tal Maria que supostamente me mal-fadou na hora do meu nascimento, pois não o vou fazer, porque não vou dar o gosto à senhora que me pretende interrogar na rua, porque não sou amargada e aliás,  na medicina não consta que o nascimento prematuro seja uma maldição ou praga, nem sequer é encarado como doença. É um fenómeno que acontece às vezes e acabou. O que, porém, se há confirmado na vida real é que as crianças que nasceram antes dos nove meses são muito esforçadas, curiosas e que têm um grande dom para os estudos e trabalhos intelectuais, já que não estão muito viradas para os desportos. Se isso é um estigma, não sei, há momentos em que o é, sobretudo quando temos de carregar nas nossas costas muitos parasitas que não querem estudar, quando nos deparamos com comentários estúpidos e fora do lugar, mas nascer prematuro não causa extremas dores no corpo. Que eu saiba. Pelo menos nem sempre. Para além disso, quando um órgão nos dói, a questão fulcral não é de modo nenhum a de mérito ou culpa, de prémio ou castigo. Trata-se simplesmente de um indício de que essa específica parte do corpo precisa de atenção. 
À avozinha vestida de negro bastou-lhe se calhar reparar na minha forma de andar, que não é particularmente bonita, e que, de facto algumas vezes me causa algumas dores, mas a quem é que não lhe doem as pernas depois de caminhar durante muito tempo num sábado de manhã?
- Desculpe, já estou atrasada, tenho que ir mesmo.
 Como viu que a história da velha Maria do lado paterno da minha família não me entusiasmou muito para uma conversa posterior e mais profunda, começou a enrolar a sua narrativa de forma a ter um fio condutor e a parecer minimamente estruturada e passada a  limpo.
- Mas as dores vão passar, porque tu és uma alma boa e Deus Nosso Senhor não te vai abandonar.
Claro, esta é outra estratégia que mulheres destas usam: recorrem a Deus à Virgem Maria ou aos santos para dar o ar de que a sua arte não é bruxaria, magia negra ou qualquer ciência oculta que assusta as pessoas. Em segundo lugar, querem salientar que elas são tão boas, sublimes e avançadas na sua vida espiritual, que conseguem descodificar em qualquer momento a vontade Divina para cada um de nós, o que não é mais que um sinal de pura vaidade. Pobrezinhas, espero que se arrependam algum dia. Por último, referindo estas palavras, o que pretendem é seduzir-nos com a ideia de que nós somos os escolhidos por Deus para realizar uma determinada acção e que elas foram as mensageiras eleitas. Quem tem uma mínima noção do cristianismo, ou  um  grau básico de auto-conhecimento, saberá que cada pessoa é específica e que todas as vidas têm a sua razão de ser, mas pensar que Deus em pessoa  nos vai revelar os seus planos pela boca terrena de alguém, seria apenas o sinal da nossa soberba escondida, que não é por acaso  considerada o primeiro dos sete pecados mortais.
- Deixe Deus tranquilo, Ele não abandona ninguém, e deixe-me passar a mim, que estou com pressa.
- Deus não te vai abandonar e tu vais ser muito feliz- continuou a velhinha de preto, com a sua sabedoria antiga e inúmeras vezes verificada ao longo desta conversa.
- Muito bem, mas eu tenho mesmo que ir...
- E tu vais ser muito feliz tanto na tua carreira como na vida pessoal.
(Claro, se desenvolve as suas capacidades só de um lado, uma pessoa geralmente sente que lhe falta algo para completar a sua imagem perfeita de felicidade, embora conheça pessoas que são felizes como donas de casa e mães de famílias numerosas, ou como grandes académicas sem marido e filhos. Isto depende do ângulo pelo qual cada um observa a felicidade e são opções que não há que discutir em absoluto. Mas fica sempre bem dizer a alguém que se vai realizar e aperfeiçoar nas duas esferas, porque assim engorda o seu orgulho e a ideia de "tu és esepecial e capaz de tudo e por isso tens que ouvir o que eu te vou dizendo").
- Sim, vejo-te aqui uma cruz. Vais casar pela igreja. (Para me revelar essa grande profecia, a senhora de vestido negro e lenço da mesma cor deverá ter  reparado na pequena cruz de prata que tinha e tenho no meu pescoço, ou deverá simplesmente ter querido continuar a sua santa e boa conversa que manteve até ao momento).
- E vais casar pela igreja com o rapaz que amas.
(Já passaram séculos desde que os pais obrigavam os filhos a casarem-se contra a  vontade, e como não sou interesseira, casar por outro motivo que não o amor, não me passa nem pelo sonho mais surreal).
 E tu amas muito esse rapaz, mas ele agora não te corresponde, e tu estás a sofrer bastante, meu coração, mas tudo isso é neste momento, depois vai estar tudo bem e Deus vai vos juntar e no fim vão casar e...
(... e vamos comer perdizes e viver felizes para sempre, pensei eu sem me poder livrar de tanto palavreado sábio num sábado de manhã. E  para além disso, qual é a rapariga que no fundo da sua alma não deseja casar numa igreja branca ou num digno registo civil, conforme as suas convicções, indo de mãos dadas com o seu escolhido em direcção à uma nova vida. E qual é o ser humano que não tenha sofrido o seu mal de amores desejando que se resolva da melhor forma?)
A cigana até me disse as letras iniciais do nome do meu futuro esposo (umas quatro letras quaisquer, das que nem sequer me lembro, e além de mais, por que têm que ser quatro? Porque estamos em Portugal e porque a maioria dos rapazes tem dois nomes e dois apelidos? Por que é que estando em Portugal não me poderia casar com um imigrante da Europa do Leste, que tem um nome e herdou o apelido do pai? Ou com um italiano, um inglês um alemão, com apenas um nome e um apelido nos seus documentos de identificação, que Lisboa está cheia deles e que também conheço alguns...? Mas, mais uma vez, era o mais seguro sendo as letras do alfabeto citadas  muito comuns, não me recordo exactamente quais, mas tenho a certeza de que não eram nem um "K", nem "Y", nem  "W" nem "Q".  Vejamos então:. Não me vou casar, por tanto, com um Karl, nem com um Yuri, nem com um William, e o seu apelido certamente não será Quiroga. Muito bem, já é alguma pista, e para culminar, em Portugal não há muitos rapazes com estes nomes, pois não?
- E vais querer ter filhos com ele, coração.
(Pois, quando uma pessoa se casa, as tarefas reprodutivas, fazem parte da convivência, são uma dádiva divina, ou como quer que o entendamos, mas quem não quer ter família com o seu parceiro namora só, nem é preciso casar... sobretudo hoje em dia em que estão em voga variedades e variedades de tipos de relacionamentos amorosos e afirma-se que a família está em crise. Palavra um pouco gasta ultimamente, essa crise, não é? Ouve-se por todo lado e mais algum, aparentemente sem ter solução possível, mas não é disso que estou a falar agora. E, ainda por cima, estou com pressa, esqueci-me do telemóvel em casa  a Susana está à minha espera no Starbucks.)
- E vais ter três filhos, uma menina e dois meninos e vão ser muito bonitos eles, como tu, meu coração, e como o teu marido.
(Desde que o mundo é mundo não houve uma mãe que tivesse filhos feios, observados da sua perspectiva, e como o pai e a mãe participam no processo da elaboração de um bebé, é óbvio que vai herdar as características dos dois progenitores. Verdade seja dita, esta sabedoria de uma manhã de sábado iluminou-me bastante, deverei transmiti-la à Susana, quando chegar, porque me verá diferente e mais esclarecida no conhecimento e quererá saber o que me tinha acontecido).
- E vais ser muito rica e conhecida também, meu amor.
(Protegida por Deus, realizada profissional e pessoalmente, casada pela igreja com o rapaz que amo, com os três filhos bonitos, e ainda rica e famosa, tudo isto a caber numa vida real... poderá ser até, não tenho nada contra, mas agora a única coisa que sei é que a Susana deverá estar preocupada com o meu atraso...)
- E agora, minha linda filha, dá-me cinquenta euros para te limpar a má sina da mão.
-Realmente, a sabedoria das avozinhas de negro não tem fim.

domingo, 16 de septiembre de 2012

Pergunta retórica por Anamarija Marinovic

Pergunta retórica

 Da primeira vez que visitei Vila Viçosa, não a apreciei na sua plenitude. Não o digo pela localidade em si, mas porque isso simplesmente acontece sempre que os investigadores nos dirigimos a uma outra cidade para assistirmos a um seminário, conferência, colóquio, congresso ou qualquer outro evento de carácter científico que indubitavelmente enriquece os nossos conhecimentos, acrescenta algum aspecto novo às nossas experiências pessoais e profissionais, preenche um pouco a nossa agenda de contactos ou até pode servir como mais um ponto no nosso curriculum académico.
Quem diz Vila Viçosa, certamente como uma das primeiras associações que terá na sua mente será a figura elogiada e cuspida ao mesmo tempo de Florbela Espanca. Exactamente. Nem mais.
Foi ali que ouvi muitas excelentes comunicações e que também apresentei a minha perspectiva do amor e do medo nos versos desta poetisa eleita, uma das mais conceituadas no meu panteão literário. Foi ali também que vi o senhor Manuel.
Confesso que sou péssima em recordar rostos das pessoas, mas a sua cara de facto não me era estranha. Nomes, datas de nascimento, profissões, características, e tudo aquilo que cabe no domínio audível e verbalmente registável não me escapa, e modéstia à parte, posso dizer quee nisso sou imbatível. Por isso tenho a certeza de ter ouvido o seu nome e apelido nalgum lado. Só que no seu momento não o consegui conjugar com a sua cara. devido à minha vista operada ou à minha cabeça despistada, não sei e também tanto faz.
O senhor Manuel er uma pessoa de voz indefinível e rosto inclassificável (cuja única característica específica era um problema de visão). Nem tinha reparado nisso, e só o menciono porque foi ele próprio a sublinhá-lo e salientá-lo inúmeras vezes. ouvi esse pormenor e fiz as orelhas moucas.
Foi este mesmo senhor,segundo me recordei um pouco mais tarde, um frequentador regular da Biblioteca da Faculdade de Letras de Lisboa e um dos amigos de Vila Viçosa, que se encarregou de levar a mim e mais alguns colegas congressistas à missa da festa da Nossa Senhora da Imaculada Conceição e à típica procissão que todos os anos nesse dia decorre na Vila.
Não sou católica, mas decidi ir, por respeito às tradições e para conhecer e sentir melhor alguns aspectos importantes da cultura portuguesa. Após a cerimónia religiosa, caminhei durante algum tempo juntamente com outros calipolenses respeitadores deste ritual sagrado, observando os costumes e tentando mergulhar um pouco no univrso  florbeliano, embora, verdade seja dita, não me pareça que ele tenha sido particularmente devota.
- Por que é que tu andas assim? sobressaltou-me dos meus pensamentos a voz do senhor Manuel,  acentuando a última palavra da pergunta com uma curiosidade estranha pintada com uma pincelada de veneno e outra de malícia.
(Que eu saiba, nem na chamada para trabalhos que nos foi dirigida, nem na folha de estilo para a formatação dos artigos, nem na extensa correspondência que troquei com os membros da Comissão Organizadora do evento, constava que para se apresentar uma comunicação sobre Florbela Espanca andar como uma modelo mundialmente reconhecida era um requisito obrigatório). Tentei apreciar mais este cantinho do mundo pelo qual a célebre poeta andou perdida sem norte, amando este, aquel, o outro e toda a gente, procurando afogar as suas mágoas na constante busca do seu Prince Charmant, fiz de conta que não tinha ouvido a pergunta.
-Tu tiveste um acidente ou nasceste assim?- insistia a voz do senhor Manuel, pondo novamente a ênfase (e um determinado desprezo) no "assim".
Como julgo que o seu reparo não foi propriamente a coisa mais agradável de se ouvir, sobretudo no meio de muitos outros colegas congressistas, calipolenses por natureza ou por convicção e florbelianos convencidos e como as meninas boas não choram em público (segundo fui ensinada desde que tenho consciência de mim), respirei fundo, esperei que se juntassem mais pessoas e pronunciei as seguintes palavras, que talvez agradassem a própria Florbela muito mais que a minha comunicação:
- E o senhor é tão mal-educado sempre ou só tem ataques no dia oito de Dezembro?

Resposta por Anamarija Marinovic

Resposta
- Sabes algo dele?
-De quem?-franzi eu o cenho bebericando o meu cappuccino (com muita espuma e um pouco de canela, tal como eu gosto) e mastigando um pouco de pastel de nata (queimadinho, quente e com canela tal como eu gosto) tentando resolver o enigma da pergunta.
- Como que de quem, dele, pois. Do tipo.
- Mas, de quem?
-Ó, pá, deixa-te de conversas. Do rapaz, recorda-me lá o seu nome... Daquele de quem tu passas a vida a falar, daquele com quem sonhas, quem te faz fantasiar e com quem não tens hipótese nenhuma. Do teu "príncipe encantado"?
O rosto do meu interlocutor deformava-se em caretas de um pseudointelectual beato que despreza todo tipo de romantismos, sentimentalismos ou idealismos como se se tratasse de uma espuma adocicada, pegajosa e nojenta que se acumula na superfície do palavreado de uma telenovela barata de má qualidade, ou pior ainda, como se o que está em questão fossem aqueles termos feios e compridos que nos ameaçam desde as páginas dos capítulos das histórias da literatura dedicados às tendências vanguardistas.
- Ah, sim- respondi eu entre um gole do cappucino e uma dentada do pastel de nata, com a mesma neutralidade da voz de quem constata que as cores do Sporting são o o verde e o branco, que Pessoa escreveu a "Mensagem" ou que Lisboa é a capital de Portugal.
- Sabes o quê, então?- continuou o meu interlocutor a buzinar no meu ouvido chocalhando com toda a ironia de quem faz um tremendo esforço por aplicar o significado da palavra "amizade" na prática. (ter-se-á deparado com este conceito teórico num dicionário velho e cheio de pó sem o ter conseguido descodificar na vida real. certamente que por isso é tão resmungão. 'Tadinho).
- Sei. Sei que o amo- respondi eu deixando que o sabor do cappucino e do pastel de nata me enchessem a boca com a mesma intensidade e prazer com que as coreografias mais belas dançadas pelas vibrações emocionais me enchem o coração e a alma.
 Silêncio. Silêncio denso e tenso. Silêncio profundo. Silêncio absoluto.

jueves, 13 de septiembre de 2012

cuento

El Pastel  de la Cuaresma
Cuando Doña Leonor trajo su delicioso pastel de chocolate y fresas a la iglesia rusa en Lisboa, no sabía que los cristianos ortodoxos en el período de la Cuaresma, no comían ni carne, ni pescado, ni huevos, ni leche ni sus derivados. Aunque el pescado sea permitido en el Día de la Anunciación y el Domingo de los Ramos, por tratarse de fiestas  que anuncian la alegría de la Pascua que está por venir, no es de esos pormenores ni de las tradiciones populares y religiosas que voy a hablar ahora. Tampoco me voy a explayar en explicar las razones por las que eses específicos alimentos están temporalmente eliminados del menú de los creyentes ortodoxos, ni voy a detenerme en los pormenores de este ayuno ni de su importância en el Cristianismo oriental.
Doña Leonor, una señora mayor, aunque no sabría precisar su edad, vive en el barrio de Alfama en el centro histórico de Lisboa y lo que la trajo a la antigua capilla de Boa Nova, actualmente la Parroquia en nombre de Todos los Santos, no era el interés en convertirse, ni siquiera una curiosidad cultural. aunque, nunca se sabe... porque nadie de nosotros puede imaginarse lo queva en los planes de Dios.
Según las propias afirmaciones de esta señora, lo que se oye en la pequenã iglesia blanca son apenas palabras suaves. No me refiero a la gran variedad de tonos y acentos con que numerosos rusos, ucranianos, moldavos, georgianos, armenios,rumanos y serbios pronunciaban las frases en portugués,sino a su contenido y valor. Aquí nadie le decía que era vieja y aburrida, nadie le mandaba que se callara, nadie ignoraba sus preguntas, ni despreciabasus temores y preocupaciones.
Su rostro, que revelaba mucho sufrimiento y escondía aún más dolor nos transmitía a todos el mensaje que las cosas en su  casa estaben muy lejos de ser ordenadas y construídas por la mano de un arquitecto hábil, dedicado y feliz con su trabajo. No pienso que ella viva en condiciones precarias, aunque muchas de las casas en este barrio lisboetaa tengan un aspecto un poco descuidado.  Lo que no está bien en su casa no serán ni las paredes, ni los caños, sino los ladrillos y tejas de su familia, probablemente mal puestos desde hace muchos años, o tal vez, desde el inicio de su maternidad, pero eso no lo sé ni lo puedo afirmar con certeza, porque ella nunca nos lo reveló completamente, y tampoco importa saber los pormenores. Hay que  respetar la sensibilidad de las personas y no preguntardemasiado para no herirlas. Sacar conclusiones precipitadas es propio o de los muy temerários o de los muy entrometidos, y como no soy ni una cosa ni otra, me limitaré a describir a doña Leonor apenas a partir de sus palabras y acciones.. Sus grandes ojos oscuros hacían recordar ellago  de Baikal: en la superficie calmos y por dentro los más profundos en el mundo. Eses ojos escondían muchas incógnitas y dudas, siendo con certeza una de ellas la de por  qué habrá merecido un tratamiento impropio por parte de su hijo y su nuera.
Era viuda hace años, y la mayor parte de sus amigas ya no constaban en el índice de los habitantes de la vida terrena, y las que todavía le restan, o tienen la misma fragilidad física que ella, o por la dureza de la vida cotidiana no encuentran disponibilidad ni  sensibilidad para ver y escuchar a doña Leonor. Fue por eso que esta señora empezó a frequentar la iglesia de la comunidad ortodoxa rusa todos los domingos.
A veces asistió a las liturgias, pero como no entendía el idioma, no se podría decir que estaba allí precisamente para escuchar el mensaje del Verbo Divino. La mayor parte de las veces  que visitaba la pequeña iglesia blanca, cerca de la estación de trenes en Santa Apolonia, era para estar presente en los almuerzos de la comunidad que tenían lugar en el segundo piso del templo después de las ceremonias religiosas. Repito que no tengo la certezade que fue la voluntad de comer lo que la motivaba a venir. Más bien creo que se trataba del convivio en sí y del deseo de pasar un poco de tiempo rodeada de gente, o para sentirse menos sola que en la compañía de su hijo y su nuera.
" Buenos días, doña Leonor","Cómo está usted hoy?" " Durmió bien?" " Le siguen doliendo las piernas?" "Quiere un poco más de zumo, doña Leonor?" " "Y, qué tal un pastelito más?" Las que acabo de referir, son apenas algunas de las preguntas que le eran dirigidas semanalmente por los miembros de la paroquia de Todos los Santos en Lisboa.
Para los que conocen la vida de esta particular comunidad ortodoxa, se trataba de frases tan simples y naturales en la comunicación durante los aalmuerzos en que  cada uno traía , compraba opreparaba alguna comida, para compartirla y para volver más bonitas y agradables las horas después del largo y a veces cansativo servicio a Dios. Cuando digo cansativo,  pienso en la tradición que loscristianos ortodoxos preservan desde los tiempos más lejanos de su existencia, de estarde pie durante laliturgia,pero, como ya he dicho, no es el aspecto teológico ni cultural de nuestras ceremonias que voy  a abordar ahora. Lo que de nuestras bocas salía tan naturalmente en las conversaciones semanales con doña Leonor, era probablemente lo que estas  señora  necesitaba deescuchar hace años, y que no era pronunciado por nadie que compartía su realidad cotidiana.
Fue por eso que un domingo de primavera ella decidió hacer el delicioso pastel de chocolate yfresas y de ofrecérnoslo.
- Cómo ha hecho el pastel,doña Leonor?- preguntó una de las parroquianas con el vivo interés de una buena ama de casa y mujer que sabe apreciar un pastel bien preparado.
La señora empezó a explicar la receta. Quando dijo que entre los ingredientes, además del chocolate,estaban también  leche y huevos, alguien comentó con el padre en voz baja que estábamos de Cuaresma.
-Hermanos- respondió el padre en ruso sabiendo  quedoña Leonornolo podía entender- si este pastel tiene chocolate, leche y huevos, y nosotros lo rechazamos, cumpliremos formalmente las reglas del ayuno, pero lastimaremos profundamente el corazón de esta persona sufrida, que lo hizo con mucho amor y cariño para nosotros, espresando su gratitud. Si lo aceptamos, no respetaremos la Cuaresma, pero renunciaremos al nuestro egoísmo y vanidad. Hermanos, somos cristianos o fariseos?
La decisión de la parroquia foi unívoca y dudomucho de que fuese condicionada por el comando de los organismos que durantevárias semanas no ingerían ni chocolate, ni leche ni huevos.
El padre Arsenio y el monje Felipe rezaron la oración correspondiente y bendijeron la mesa. Mientras que entre otros alimentos propios para este período del año, fue comido también el delicioso pastel de chocolate y fresas, en los corazones d los miembros de la  comunidad oprtodoxa rusa en lisboa, que ansiosamente esparaban la Resurrección del Señor, reinaban la paz y el sosiego.
doña Leonor se sintió realmente acogida y en sus grandes ojos oscuro,s que hacían recordar el Lago de Baikal, se vislumbrron dos o tres lágrimas.
Aunque infringir el ayuno y sobre todo la Cuaresma en la Iglesia ortodoxa, no sea un comportamiento propiamente muy acceptable, podría estar segura de que  en el momento de este almuerzo particular, en las  alturas celestiales, Nuestro señor Jesucristo, cuya Resurrección se iría a celebrar en breve, sonrió de alegría...

miércoles, 12 de septiembre de 2012

Dor e riso por Anamarija Marinovic

Dor e riso
Belgrado
16 de Outubro de 2003

Meu caro diário,
Amanhã é o tal dia. Importantíssimo para mim. Não esperei muito, mas que importância é que isso tem agora ? Já está, ali á esquina, como se costuma dizer. Estou impaciente. E um pouco nervosa. Não é de estranhar. Claro, não é qualquer dia que se tem a quarta cirurgia dos dois olhos ... Sim, a quarta! QUARTA, Entendes??? Oh, meu Deus!!! Quando é que isto vai acabar? Amanhã, provavelmente...Ou… Calma, calma... Tenho de pensar positivo... Mas, sabes, meu caro diário, já estou um pouco cansada. Não, não é medo, nem preocupação o que estou a sentir agora, é, como é que hei-de dizer... é uma chatice. Sim, essa é a palavra adequada, chatice. De qualquer das maneiras, tem que ser. E o que tem que ser, tem muita força.
Já sei, já sei, nasci prematura, aos sete meses, porque a mamã estava doente. Não era nada grave, uma gripe apenas, mas uma simples gripe pode causar grandes problemas a uma mulher grávida. Não vou agora perguntar-me acerca da razão do meu nascimento prematuro: se foi porque o papá num momento não teve suficiente coragem ou palavras delicadas para não deixar entrar o vizinho engripado que queria ver o seu jogo de futebol na nossa televisão (na altura a única a cores no prédio todo), ou porque a mamã também fumava. Não sei, nem me interessa. Ninguém teve culpa. Nasci antes do prazo previsto e já está. Mas nasci e isso é o único importante, graças a Deus. Tal como se costuma fazer com os bebés demasiado curiosos por conhecerem a beleza deste admirável mundo, para eles absolutamente novo, colocaram-me na incubadora, puseram-me oxigénio a mais e por causa disso os meus músculos oculares enfraqueceram um bocadinho.
Foi então que apanhei aquela doença dos olhos a que na linguagem popular é conhecida como “os olhos vesgos”, mas que os médicos educadamente chamam estrabismo. Sim, ESTRABISMO, esta palavra comprida da origem grega foi o que durante muitos anos me assustava. E o que muitas vezes me parecia um palavrão feio e estranho ao meu ouvido. Cada vez que ouvia aquele conjunto de sons que não percebia, achava que tinha uma coisa horrorosa nos olhos, quando se tratava apenas de um pequeno problema com o funcionamento dos músculos... Uma imperfeição não muito grave, curável e perfeitamente corrigível. Isso tinha que ser operado. Quanto antes, melhor, porque mais tarde fica visível e feio e isso não é recomendável no caso de uma criança, sobretudo de uma menina. Era para ser uma vez, mas, as coisas complicaram-se, não te quero maçar agora com isso, meu caro diário. Não interessa.
Das primeiras duas operações nem me lembro, porque na altura era bebé, a paciente mais nova na carreira do médico que me vai operar amanhã. Foram os pais que me contaram tudo. A terceira, a de há dois anos, foi um horror: a anestesia geral, as dores insuportáveis, uma enorme vontade de coçar os olhos, as náuseas depois de acordar, um sentimento de extrema fraqueza... Valha me Deus! E amanhã outra vez a passar por isso... Nem quero pensar... Mas o médico é um excelente especialista, uma pessoa muito simpática, sempre faz brincadeiras e gostamos muito um do outro. Aliás, trata-me como se fosse a sua filha mais nova, ou até a sua primeira neta...
Há de correr tudo bem! E depois, aquele rapaz tão belo, meu colega da universidade, de quem toda a gente diz que ficaria bem ao meu lado, pode começar a ver-me com outros olhos... Vamos ver. Na verdade, não tenho de que preocupar-me. Além disso, amanhã é um dia santo: o Santo Estêvão, déspota sérvio que ficou cego, e que, segundo a crença popular, ajuda os doentes dos olhos. Ele não me vai abandonar. O meu Anjo da Guarda também não. Mas, agora, toca a dormir e descansar, preparando-me para o grande dia… Em breve, meu caro diário, escrevo-te novamente…

Depois de ter terminado esta página fiz a sinal da cruz, disse: “Que Deus e Santo Estêvão Štiljanović da Sérvia me acudam” e adormeci que nem um anjo.
Chegou o tal dia: Lembro-me de ter entrado no hospital, uma bela e agradável clínica, daquelas modernas e privadas, cheias de fotos bonitas, juramento de Hipócrates e plantas grandes no rês-do-chão O meu médico, vestido de verde mais me parecia um ursinho fofinho de peluche que aquele montenegrino alto e corpulento que por vezes aparecia na televisão a falar sempre de doenças, das actividades políticas do seu partido e de coisas graves e muito, muito sérias. Os seus olhos azuis, suaves e cheios de carinho inspiravam-me confiança. Como se me estivessem a dizer: “Estará tudo em ordem, garanto-te! Força, minha menina, não tenhas medo.”
Lembro-me de ter acordado da anestesia e de ouvir o meu médico dizer: “Minha campeã, foste valente! Conseguimos! Senti que o meu pai, que então estava ao meu lado, me afagava a mão, controlando-se para não chorar. Agradeço a Deus e a São Estevão da  Sérvia. E ao meu médico que não escolheu esta data por acaso... Não era uma coincidência de certeza, ele é um senhor muito religioso, que conhece o calendário da Igreja para frente e para trás e até nasceu no dia do Natal ortodoxo...
Hoje, já passados alguns anos daquela experiência, muitas das coisas dão-me vontade de rir: Sim, outra vez passei pela anestesia geral, tive dores insuportáveis e uma enorme vontade de coçar os olhos, as náuseas depois de acordar e um sentimento de  extrema fraqueza, mas também tive ao mesmo tempo muita força Correu tudo bem. Aquele rapaz tão belo que na altura era meu colega da universidade e de quem toda a gente dizia que ficaria bem ao meu lado, não me prestou muita atenção, pelo menos não no sentido em que todos os colegas da turma murmuravam, mas , já não me preocupo com isso. Hoje ele e eu somos os melhores amigos., e o que os outros digam ou deixem de dizer, não nos toca em absoluto. Porém, neste mundo há uma outra pessoa, não interessa quem, nem o penso revelar, que me faz dormir bem e sonhar melhor. Esse sentimento tão forte e profundo, sincero, silencioso e misterioso dá aos meus lhos um brilho muito especial, pelo qual uma vez ele me tinha dito que estava muito bonita. Não sei se tem razão, mas uma coisa sei com certeza absoluta: agora os meus olhos estão completamente bem. Graças a Deus e a Santo Estêvão Štiljanović da Sérvia. E ao meu médico, aquele montenegrino alto e corpulento, que por vezes aparece na televisão a falar sempre de doenças, das actividades políticas do seu partido e coisas graves e muito, muito sérias, mas que, apesar disso não deixa de ser o meu ursinho fofinho de peluche...

otro cuento por Anamarija Marinovic

Milagro de la noche de San Juan
Hace innúmeros años lejanos, en los tiempos en que el ruído de las ciudades no ensurdecía los oídos, cuando el conocimiento no se encontraba a un clic de distancia y cuando no se creía que las plantas que comemos nacían embaladas en el supermercado de la esquina, el hombre vivía más próximo de la naturaleza, de sus orígenes y raíces, combatiendo sus temores, defendiendo sus ideas y creencias, disfrutando de los sabores, olores y sensaciones genuinas que lo rodeaban. En aquellos “viejos buenos tiempos” en que no se sabían los nombres griegos y latinos para cada enfermedad, cualquer abuela que ni siquiera sabía leer y escribir, en todo momento aplicaba sin error la planta más adecuada para remediar los males y dolores físicos, si es que no conseguía curar los del alma y del corazón.
Esta es la razón por la que todos los pueblos del planeta tienen un rico y variado imaginario relacionado con las plantas, su papel en la alimentación, en la salud y en todos los segmentos de la vida profana o sagrada. Los eslavos antiguos en este sentido no son ninguna excepción.
Según una vieja leyenda , de aquellas que se tansmiten de abuela a nieta, de boca en boca y del oído al oído, se cree que en la noche de San Juan (para la cual los cientistas modernos afirman y reafirman que es no más una cristianización de los viejos rituales paganos, y yo, humilde sierva de Dios y narradora de esta historia, tengo mis motivos para no aceptar esta idea del todo) florece el helecho. Una vez al año esta modesta flor se abre para quien la merece y le trae la más intensa y la mayor de las felicidades. El camino hasta ella es estrecho y peligroso, los motivos son vários: desde la curiosidad, la vanidad, el deseo de descubrir y poseer lo desconocido, la superstición, el coraje u otros. Esta flor, conociendo todas las debilidades y virtudes escondidas en los corazones humanos, en los de las hadas y otros seres sobrenaturales, sabe que no todos deben tener el privilegio de verla, tocarla, olerla o arrancarla, porque su experiencia le enseñó que las acciones aparentemente tan inocentes como la de coger una flor pueden provocar grandes conflictos y pecados como la soberbia, la envidia o la rabia, y que esa misma acción podría ser una pequeña gota de gacia y dulzura de la que necesitan hasta los corazones más empedernidos y ofuscados por las tinieblas del desamor y angustia. El hecho que pretendo subrayar una vez más es el verbo merecer: sí, la flor del helecho sólo se abre a quien la merece. Es importante destacar eso, porque os voy a llevar a los tiempos en que la lucha honesta y el premio merecido eran imperativos en la vida de cada individuo y en que todavia se tenía mucha fe en la protección de los santos, y en que nada se empezaba sin pedirse la bendición de Dios y del padre o la madre.
Toda esta introducción era no más el punto de partida para el desarrollo de una historia bonita de las que confirman que las tradiciones populares no son apenas pasatiempos divertidos o ricas enseñanzas que dicen las viejas tras el fuego y que a veces se vuelven reales para los que creen en ellas com toda la firmeza, esperanza y pasión.
            Hace muchos, muchos anos, en una noche de San Juan, cuando las aguas se dividían en cuatro en forma de la cruz, en que la actividad de los demonios estaba muy presente  en todos los rinconcitos más escondidos de la naturaleza, cuando las flores echaban sus olores más embriagadores, cuando el verano corría detrás de la primavera para expulsarla y decir que ya se había acabado su tiempo y que debía ceder su lugar a los calores mucho más fuertes, cuando todas las aldeas, arroyos y bosques parecían estar hirviendo de las fuerzas de la vida y de la juventud, había en este mundo, en las lejanas tierras eslavas alguien que no estaba feliz: un hombre,  que parecía perdido y cansado después de un largo y peligroso viaje, y una mujer, que vivía en su gruta, pareciendo ser olvidada en su angustia y soledad, causadas por muchas maldades que había cometido a lo largo de sus muchos dias y noches pasados com el único objetivo de lastimar y estropear la felicidad de los otros.
Ella era bruja, por su aspecto físico no se diria que era vieja, al contrario, hasta pienso que podría tener la edad de casare, pero su fealdad y maldad cargaban en sus espaldas un peso increíble del que nunca se podía liberar porque no sabía cómo. Todos la conocían apenas por Bruja, sin que ndie recordara ni su nombvre, ni apellido, ni ciudad natal. No se sabe cuándo su família llegó a habitar la oscura gruta de la montaña alta, inhóspita e inaccesible en que toda la gente la recordaba ver, tampoco se conoce el número de mitos y leyendas que envolvían su figura y personalidad, pero ninguna de esas creaciones populares contenía una palabra suave. Genearciones y generaciones de mujeres de su família se dedicaban a la brujería, los comunes mortales de carne, hueso y alma bautizada les temían, daban tres pasos para tras y escupían cuando ellas pasaban, hacían la señal de la cruz o practicaban otros rituales para alejalas y para que sus hechizos no los alcanzaran. Algunos hasta odiaban a la Bruja, no sabiendo que del odio solo nacía rencor y que así se aumentaba la cadena del mal en el mundo. En los primeros tiempos el odio y el temor de las gentes la llenaban de orgullo y de soberbia, haciéndola pensarse poderosa. Le encantaba asustar a los niños, amenazar a los hombres que les iba a comer el corazón, mandar maldiciones a las mujeres más bellas que ella, interferir entre los bien casados llenando sus hogares de discordia y de amargura.
Cuando su bisabuela, su abuela y su madre murieron, por increíble que parezca, la soledad, la rutina y la angustia comenzaron a infiltrarse entre las paredes bajas, esterchas, sucias de musgo y humedad de su gruta. En vano intentaba convocar a las otras brujas, compañeras de sus maldades juveniles para cenar com ella y alegrar un poco sus días. Unas estaban ocupadas haciendo pociones mágicas venenosas, otras tenían ya su calendario lleno (comiendo corazones, protagonizando las pesadillas de los niños, induciendo a los hombres casados en el pecado del adulterio,  intercambiando recetas de las pociones mágicas, varriendo sus casas con el modelo más reciente y eficaz de  escobas, excusándose que hacía mucho  que ya no volaban en ellas, otras no se dignaban ni de responderle, dedicándose a inventar chismes y calumnias más asquerosas sobre ella, olvidándose de que hasta ayer juraban la eterna hermandad con ella y una ayuda mutua en los momentos difíciles. Por estas y otras futilidades femeninas, perdón, brujinas la Bruja empezó a sentirse abandonada y olvidada. Ni todos los elixires de la fuente de la juventud, ni todas las pociones mágicas, ni todos los vuelos nocturnos en su escoba preferida le daban el sentido que ella buscaba.  Ni todas las plantas medicinales usadas ampliamente en el imaginario popular conseguían apaciguar su dolor. Era algo que venía de las entranãs, punzándole el alma, y contra eso no hay yerbas que ayuden.
Empezó a interrogarse, a sentir el peso de su conciencia, durante las noches la perseguían los rostros horrorizados de los niños que había asustado a la muerte, cada alimento que ingería le parecía un corazón de sus víctimas, comer ya le daba asco, respirar era difícil porque en cada partícula del aire le parecía el suspiro de una muchacha malcasada y cada gota de agua la lágrima de una madre cuyo hijo por su brujería había perdido la razón. Todo se volvió negro, absurdo, desesperante. En los momentos de su locura vertiginosa, hasta decidió subir la cumbre de la montaña y echarse al abismo más profundo. Qué más dá… A nadie le importaba su miserable vida… Todos la odiaban… Si ella se muriera, desaaprecería una mala creatura sin valor y sin ninguna importância. Se iria a acabar una vida llena de egoísmo, de envidia de todos los horrores y desgacias… Y fue subiendo con la intención que le habían impuesto su mente turbia y su corazón sin fe, espearnça y amor…
Pero, como la noche de Sn Juan no es apenas un festejo pagano y popular, y por alguna razón se llama así (en homenaje al santo precursor y Bautista, padrino de Cristo, que según el calendario gergoriano se celebra el 24 de junio y de acuerdo com el juliano a 7 de Júlio, no voy a explicar ahora los pormenores, pero estas dos fechas son importantes porque esta historia incluirá la tradición ibérica y la eslava, como luego se irá verificar en su final, bonito y feliz como el de todas las historias encantadas que valga minimamente la pena leer), en ella, com todo su canto,  bromas, juegos,  juventud, salud, belleza y amor, no podría caber una muerte trágica y un peacdo tan grave.
-¡Muchacha!- se oyó de cerca una voz masculina arañando las nubes como un trueno.
Asustada y confusa, la Bruja se sobrecogió. Hacía años y años que nadie se había dirigido a ella tratándola por “muchacha” y no por su apodo de Bruja, que desde que el mundo es mundo há sido el único nombre de ella y de toda su estirpe femenina.
- ¿Pero, qué haces, hija infeliz?- se repitió la voz, esta vez más cariñosa y suave.
Yo no te voy a permitir que cometas esta barbaridad, y sobre todo en esta noche sagrada y bendita en que fue enunciado el nacimiento de quien bautizaría con el agua al que bautizaría com el Espíritu Santo. Yo soy aquel que apareció a Zacarías en el templo, anunciando que su mujer Isabel, que había sido estéril tendría un hijo, yo soy aquel que ordenó que el santo que hoy celebramos se llamaría Juan, yo soy aquel que anunció a la Virgen María que era bendita entre las mujeers, y yo soy aquel, que disfrazado de viejo monje una vez, cuando tú tenías siete años, te pidió agua y tú, que todavía eras una niña buena, me la diste. Por esta obra, la única buena que hiciste en toda tu vida, te doy la oportuidad que sigas viviendo.
Todos los que conocen mínimamente la historia del cristianismo, saben quién era el interlocutor de la Bruja, aquel que la hizo llorar por primera vez después de tantos y tantos años de soleadd y de desprecio que habían vuelto su corazón en una piedra fría e intocable.
Entre sollozos y lágrimas la triste muchacha replicó:
-Pero… ¿ Para qué me sirve el seguir viviendo si nadie me ama….? Si soy mala y horrorosa…
- Tú dices que nadie te ama, es porque no has conocido el amor. No sabes lo que es dar, no conoces la belleza de la misericordia y de la compasión, no disfrutas de la vida y de toda la riqueza que Dios creó. Pero, esta noche, en que la flor del helecho se abre para quien la merezca, pasan milagros y todo es posible ¿Cees en lo que te digo?
- Creo… sí, quiero creer.
- Si quieres creer, fíjate en este viajante cansado que aí viene y ayúdale. Él anda perdido, igual como tú en busca del sentido de su vida, pero como son milagrosos los caminos del Señor, si él está aqui en esta misma noche, por algo será. No te digo más, abre tu corazón y se te dirá solo lo que tienes que hacer… Te doy una cruz, una espada y una grinalda de flores y eso te basta para saber qué hacer com ellas.
El misterioso interlocutor de la muchacha hizo la señal de la cruz y desapereció y la gruta de repente se iluminó y se quedó limpia y acogedora.
El caballero cansado, que por su asepcto era forastero, vio a lo lejos la luz de la gruta y decidió dirigirse allí para descnsar y pasar la noche para el dia siguiente continuar su viaje, que no tenía un rumbo definido. El extanjero había nacido en una lejana tierra ibérica y se llamaba Pedro, pero por su carácter reservado y muy poca capacidad de expresar sus emociones, le decían “el corazón de piedra dura”, que bien se conjugaba com su nombre. Había pasado medio mundo a caballo, buscando una esposa digna. Para eso pidió la autorización de sus padres, y que conste aqui que él era un joven que respetaba mucho a su familia, adoraba a los niños y se interesaba por las tradiciones y culturas de muchos pueblos. Su belleza física era marcante: era alto, robusto, um típico caballero medieval, solo que no era rubio, como los clásicos príncipes de los cuentos de hadas: su pelo, y complexión eran morenos, y sus ojos oscuros como la medianoche. Además, hacía a veces un gesto involuntario com esos ojos, que le daban un encanto especial, que hechizaría hasta las hadas y las brujas, y mucho menos cualquer muchacha de carne y hueso.
Las mujeres de su tierra o lo buscaban por su belleza exterior, o por algunos de los valores materiales que les podría ofrecer, o se aprovechaban de su paciencia para avergonzarlo en público delante de sus amigos o eran de cualquier forma indignas y fútiles, que no merecen una línea en esta historia encantada. Lo que él queria era una esposa, compañera, consejera, amiga, una digna madre para sus hijos y una buena tia para sus dos sobrinos, una niña y un niño, de los que dice que son su mayor orgullo.
Cansado, com hambre y sed, Pero entro en la gruta y pidió ayuda.
La muchacha le preparó la cena, dio de beber a su caballo, le hizo la cama y se pusieron a conversar.
- ¿ Dónde estoy, buena muchacha?
- En una tierra eslava en los Balcanes montañosos.
- ¿Qué dia es?
-Domingo, siete de julio. En esta tierra se festeja el nacimiento de San Juan Bautista. Y le explicó la diferencia entre los calendarios y algunos prmenores más que diferenciaban esta cultura eslava de la suya, la ibérica.
-Sabes… -continuó la mujer- Hoy los chicos y chicas saltan las hogueras, las muchachas hacen guirlandas de flores para que Dios y San Juan les den la salud, que sepan si y cuándo (bueno, y com quién) se van a casar, juegan a reyes y reinas, corrren con lilas (atochas de corteza del cerezo) acendidas, miden sus fuerzas físicas, bromean, se mojan com el agua, ponen guirlandas en todos lados, para que hasta su ganado tenga prosperidad, se besan  através de las coronas de flores y… en fin, es una verdadera fiesta de la belleza, juventud y amor (permitido y prohibido, porque hay muchos besos robados, muchos movimientos poco decentes que no caben en una buena historia encantada.
-Bonitas tradiciones tiene esta tiera, y te digo una cosa, son bastante parecidas con las nuestras, nosotros hasta creemos que San Juan es un santo a quien le gustan mucho las chicas y que “todo se mata” cuando ellas no vienen a su fuente de plata…
Los dos rompieron a reírse de algunas tradiciones ingenuas de sus pueblos y a completar sus conocimientos contando las más diversas historias populares hasta que la muchacha le contó al caballero la creencia sobre la flor del helecho y sus efectos milagrosos.
- Yo quiero buscarla. Estoy cansado de buscar el sentido de mi vida y sin una buena esposa, yo no me veo en este mundo. Quién en este mundo no ama, en el outro no se salvó, como dicen mis viejos antepasados.
- Ten cuidado, el camino es esrecho y peligroso, todos los años alguien intenta alcanzar la flor y se muere por aí. Es un camino árduo, húmedo y oscuro, tienes que hacer tres pruebas y sobre todo tener un corazón bueno.
-Mi corazón… Gran cosa mi corazón… Yo no tengo corazón… tengo una piedra dura, lo sabían hasta mis padres cuando nací y por eso me llamaron Pedro.
- No, tú tienes un corazón de oro puro, sólo que te escondes detrás de esa máscara, para que nadie te lastime.  Has sufrido mucho por las que no sabían tratar bien de tu coarzón y ahora te crees insensible, pero, te juro que no lo eres. Y además yo creo en que tú vas   a conseguir y yo te ayudare´. Toma esta cruz, esta espada y esta guirlanda de flores. Cuando llegues cerca del lugar donde florece el helecho, encontrarás a las brujas y diablos bailando en círculos, muéstrales la cruz y di: “Que me ayuden Dios y San Juan” y ellos huirán sin dejar rastro. Cuando tengas dificultades en pasar por entre los arbustos y plantas, córtalas con la espada y las flores son para que las pongas en la cabeza de la que va a ser tu esposa. La flor del helecho hay que merecerla. Vete com Dios y con San Juan, buen caballero.
El caballero obedeció a la muchacha e hizo todo tal como ella le había indicado: haciendo la señal de la cruz empezó su aventura. Después de muchas andanzas y adversidades llegó al lugar en que las brujas y los diablos bailaban en círculos chillando y haciendo un ruído insoportable, intentando sabotear la búsqueda de la modesta flor que trae la felicidad. El caballero tomó la cruz en su mano derecha, se la mostró a sus enemigos y dijo: “Que me ayuden Dios y San Juan”. Con un ruido tremendo, los diablos y las brujas se deshicieron en huno y desaaprecieron. El caballero siguió su camino: las piernas le dolían, los ojos se le cerraban de sueño, pero estaba decidido: o esta noche encontarba a su esposa o se quedaría solo por el resto de su vida. Todo el paisaje era hostil, el camino estrecho, las piedars húmedas, las plantas densas y todo parecia haberse puesto de acuerdo para imposibilitar el camino del caballero, pero se acordó de su espada e iba cortando las plantas indeseadas y se iba abriendo el paso. Allí en el medio de la nada estaba dormida la flor del helecho, esperando a su salvador, que le permitiera cumplir la misión de su vida y hacer a los demás felices.
- Que me perdonen Dios y San Juan, pero yo no cojo esta flor sin mostrársela a aquella muchacha de la gruta- pensó el caballero Pedro y quiso volver atrás para buscarla. Dio una vuelta y la vio allí, a su lado, a poços pasos de distancia.- ¡Qué ncreíble es esta muchacha! Me siguió hasta aquí de noche y sin miedo, ella será mi esposa.
- Buenas noches, buen caballero, cumpliste las primeras dos pruebas. ¿Y la corona de flores….?
- Es para ti. Sólo tú eres digna de ella, tú eres aquella que me podrá acompañar en los momentos difíciles y darme la alegria en los momentos bellos. Tú eres la única que en mi corazón de piedra dura acendió la llama del amor. Tú serás mi novia y mi esposa y madre de mis hijos y tia de mis sobrinos… Y le dio un beso através de la guirlanda, como se suele hacer en esta tierra eslava en los Balcanes montañosos en la noche de San Juan.

- Y tú eres mi primer amor. Antes yo era bruja,  fea, mala, insignificante, horrible, ni mi nombre tenía, pero, me apareciste tú y yo conocí el amor.
- ¿Fea y mala, tú? Imposible. Estás toda muy bonita… como siempre, sólo que no lo veías. Y en lo que se refiere al nombre…. A partir de ahora, Ana te llamarás. Y a mí me amarás.
En este momento se abrió la modesta y bonita flor de helecho, que se deja ver una vez al año por aquellos que creen que el coraje, la lucha y el mérito todavía valen alguna cosa. Mientras la naturaleza olía a las fuerzas vitales, la risa de los jóvenes y la luz de las hogeras llenaban el aire de la mezcla de lo pagano y lo Cristiano, Dios, San Juan y el misterioso interlocutor bendijeron el beso de la muchacha Ana y del buen caballero Pedro, que tuvieron entre sus manos la bella y modesta flor de helecho, como recuerdo de un milagro de esta noche mágica y santa al mismo tiempo.





por qué los bombos son redondos por Anamarija Marinovic

Abril: La amabilidad. La simpatía. La alegriá. La felicidad.
Mayo: La esperanza. El sueño. La imaginación.
Junio: La incerteza. Bien, a lo mejor…
Julio: Una fiesta. Un mensaje sin respuesta. La preocupación. La oración. La tranquilidad.
Agosto:  Las vacaciones. La lejanía. La duda.  ¿ Por qué…?  ¿Será que soy yo? El espejo. Probablemente. Pero…
Septiembre: La incomunicación. La soledad. La timidez. ¿Será que….? No. No puede ser. ¿Y si…? No vale la pena pensarlo. Es que en estas situaciones…
Octubre: La ansiedad. ¿Qué hago? ¿Desisto? Nunca. El sueño. La confianza. La fe. La esperanza.
 Noviembre: La fecha. Finalmente! !Ánimo! La noche. La magia. El encanto. El Palacio de los Távoras. El brezo. Las raíces. El viaje en el tiempo. La música. Un bombo. El bombo. La felicidad silenciosa. Las vibraciones más íntimas de los rincones más escondidos del alma…   La cabeza como un bombo. La imaginación. Los aplausos. La realidad.
- Estás toda tan bonita… como sempre- le dijo él.
La joven sonrió y bajó la mirada. La realización. La plenitud. La vibración. El corazón como un bombo. Cómo es maravillosa la vida de una princesa encantada, verdad?
La amabilidad. La simpatia. La alegriá. La felicidad., la fe-li-ci-dad, !LA  FE-LI-CI-DAD!


Sabiduría suprema, cuento por Anamarija Marinovic

 Sabiduría suprema
Era una vez un joven maestro de escuela recién–licenciado, que sabía muchas cosas y a quien le encantaba hacer a sus alumnos todo tipo de preguntas difíciles y  hacerles adivinar los rompecabezas más complicados y pocas veces apropiados para su edad. Si lo hacía para despertar en ellos el interés y el gusto por la sabiduría o para ostentar la suya, nunca nadie lo consiguió descubrir, porque en su rostro no se notaba ni el más ligero rasgo de expresión emocional.
Un día entró en su sala de clases y se dirigió a la pequeña María con la siguiente pregunta:
-¿ Tú crees en Dios?
- Sí- dijo ella.
- Siendo así, dime una cosa: ¿Por qué razón Dios te dio justamente a tu madre y no una outra mujer cualquiera entre tantas que hay en este mundo?
- Porque Dios sabe todo y sabe también que ninguna outra madre en este mundo me amaría tanto como la mía.- respondió la niña de ocho anos.
Hubo un momento de silencio tenso y profundo. En el rostro del mastro se notó un ligero rubor, algo que nunca antes había sentido. Bajó la cabeza.
La clase continuó pero nada más era lo mismo…

Un final lógico por Anamarija Marinovic

Un final lógico
Era una vez un colorín-colorado que se fastídio de ser empujado sempre para el final de la historia y decidió luchar por sus derechos: envio muchas cartas a los periódicos denunciando el flagrante  caso de discriminación com base en los prejuicios literários, dirigió una también a la  Asociación Nacional de Escritores, reclamo junto a los compiladores de los cuentos tradicionales, resolvió consultar a los especialistas, pero ni  Umberto Eco ni Michel Faucoult ni Garciá Márquez le dieron respuestas.
Justo cuando terminó una carta de reclamación urgente, com todos los párrafos, comas, quexas y “sin outro asunto de momento” en su lugar, dirigida al autor de la entrada “cuento” en el Diccionario de Narratología, se vio obligado a perder sus valiosas dos horas en la fila de una oficina de correos.
Realmente, hoy en día la administración pública es una cosa de locos.

La cabeza andante por Anamarija Marinovic

La cabeza andante
El outro día, Ana anduvo desde Alfornelos hasta Santa Apolónia e hizo el mismo percurso de regresso. Once quilómetros y medio de ida  más otros tantos de vuelta.
¿Por el espíritu desportivo? ¿Para adelgazar? ¿Porque le gusta caminhar al aire libre? ¿Para reflexionar sobre la vida, aprovechando para estar sola un poco observando las cosas com calma y atención? ¿Para intentar corregir el defecto que tiene en las piernas?
Algunas de estas suposiciones están ciertas, pero cuando se juntan su gran gusto por passear y su enorme fascínio por la introspección, puede ser muy peligroso, porque unos quince minutos antes de llegar a su destino, Ana se dio cuenta de que se no llevaba la cartera (con su tarjeta de metro dentro y el dinero para un billete simple).
Pues, bien, quien no tiene en la cabeza (ni en el bolsillo)… tiene en las piernas, ya lo afirmó muchas veces un viejo proverbio serbio.

nuevo cuento por Anamarija Marinovic

El microcuento de hadas
Era una vez una princesa. Un día, en la rica biblioteca de su castillo, se le ocurrió escribir un microcuento.
Como no  le gustaban mucho las invenciones de los tempos modernos, y, además, como todas las princesas cultas y traicionales, desconfiaba de su calidad y valor estético, solamente le salían brillantes comienzos de noveals de caballerria, versos de excelentes poemas heroicos,   narraciones largas con las tierras lejanas,  reyes y reinas, con los três hermanos, de los que el menor es siempr el mejor, el más valiente, el más perspicaz y el más virtuoso, los bonitos cuentos de hadas con las tres pruebas del príncipe, con su boda con una hermosa princesa wncantada, como ella, y, por supuesto, el final feliz.
Estaban todos muy buenos pero, ella quería un microcuento y lo tenía que tener. Afiló  bien su pena de pato y empezó a escribir, cortando las expresiones, eligiendo mejores solucones, buscando sinónimos, omitiendo descripciones muy detalladas y diálogos superfluos  intentando ir directo al asunto essencial, usar la ironia y el doble sentido de las palabras, dar vuelta a los modelos y autoridades reconocidos, pensar en los finales inesperados, y cuando, finalmente, estaba satisfecha con su microcuento, llegó el dragón y le devoró la hoja de papel, com todo el plácer de un vegetariano y fervoroso defensor de los animales y humanos.


Solidão por Anamarija Marinovic

Solidão
Se eu fosse um cão, Brigitte Bardot levantaria a voz por minha causa.
Se fosse alcoólica ou toxicodependente, os médicos dos sanatórios tomariam conta de mm.
Se fosse assassina, os tribunais e os jornalistas iriam dedicar-me a devida atenção.
Se fosse lésbica ou prostituta, (infelizmente)  meia Europa lutaria pelos meus direitos
Se fosse uma estrela escandalosa de telenovelas, de música ou dum reality qualquer, milhares de fãs do mundo inteiro deixariam os seus comentários, smilies e palavras de apoio ou de crítica no meu perfil do Facebook...
Em vez disso... sou uma exemplar Doutoranda em Letras em pleno mês de Agosto.

viernes, 7 de septiembre de 2012

the curious and rich Serbian Culture

IVIC, Pavle (ed.) (1999) The Fistory of Serbian Culture, Porthill, Edgware, 356 pages
If you didn't know that Serbian Medieval illuminated manuscripts were made using a very special technique, unique in the world (because of which the oldest Serbian handwritten book the Miroslav's Gospel nowadays is considered the Patrimony of the Humanity in the UNESCO's list), if you didn't know that printing in Serbia started to be used much earlier than in many Western European countries, if you didn't know that Jacob Grimm started to learn the Serbian  language to be able to read it in the original and to translate it properly into German, if you didn't know that the first film in Serbia and in the Balkans was shown in 1896, only six months after the famous projection made by the Lumière brothers, if you haven't heart of the monastery Visoki Decani, from the fourteenth century that was built in Kosovo by the serbian king Stefan Decanski and finished by his son the Emperor Stefan Dusan, and that now is also protected by the UNESCO, then you are absolutely recomended to read The History of Serbian Culture.
this collection of works, written by the most prominent Serbian specialists in each of the areas here represented (art, architecture, oral and written literature, film, traditional architecture, history, music, sculpture, theatre), this book pretends to be a concise and informative guide to the most important events and personalities of serbian culture. Here you will find out more about the well-known writer Ivo andric, winner of the Nobel Prize in 1961, about some of the most prestigiuos film directors (that deserved some of the most important European awards, and that together with Kusturica made the Serbian cinematography recognizable and unique abroad . Their names are Goran Paskaljevic, Srdjan Karanovic, Slobodan Sijan, aleksandar petrovic and others.
The beautiful images and the high quality photographs just complete the rich and divers picture of the richness and singularity of serbian people, customs, traditions, arts and skills.
The only grave fault of this collection of essays is that there is no chapters that approach Serbian science, because there you could find the names such as Nikola Tesla, Mihailo Pupin, Milutin Milankovic and Mileva Maric-Einstein, without whom the scientific world today would certainly be much poorer.
In this book also misss some of the curious information such as that the first Newspaper in the Balkans waas "Politika" that started being published in 1901 in Belgrade and is still published daily, and also it would be interesting to mention that the first railway station in the Balkans was actually the one constructed in Belgrade, and that it still works.
However, in spite of these small imperfections, this collection odf scientific works of great quality is worth reading because it is very informative and presents Serbia in a different way, explaining to foreign readers that this country is much more than the stereotyped image of wars and cold weather, that unfortunately still exists in the mind of many European and non-European peoples.

miércoles, 5 de septiembre de 2012

quando as identidades se tornam assassinas

MAALOUF, Amin, (2001), As Identidades Assassinas, DIFEL, Oeiras, 173 pp.
Com o título mais do que provocativo, e escrita por um libanês que vive em Paris desde 19796 e escreve as suas obras em francês, esta é uma excelente obra que fomenta a discussão identitária na Europa e no mundo pós-modernos. Partindo da pergunta que as pessoas que o rodeiam lhe fazem "se ele se sente mais libanês ou mais francês", que é uma daquelas questões aparentemente muito banais que se colocam apenas para a conversa não acabar, Amin Maalouf dá as suas reflexões interessantes sobre o problema da identidade. Na sua opinião a identidade "não se compartimenta, não se divide em metades" (p.10), é algo que não é inato e que se constrói ao longo da nossa existência, que faz com que cada indivíduo se distinga das outras pessoas e que tem muito a ver com símbolos, representações e aparências.
O que há que destacar na pergunta inicial é o verbo "sentir", isto é, a identidade não é feita apenas de factores "racionais" e explicáveis tais como a pertença a uma etnia, religião , um determinado grupo linguístico, uma família etc, mas também depende de uma série de opções que nós fazemos regendo-se pela nossa esfera emocional, por gostos, imagens, mitos, interesses e tudo aquilo que não cabe dentro do domínio da objectividade e da razão.
O autor explica a fluidez e a mutabilidade do conceito da identidade de acordo com as circunstâncias sociopolíticas e culturais, referindo o exemplo de um habitánte da Bósnia que durante o regime de Tito se iria declarar como jugoslavo, para durante a guerra dos anos 90 se assumir como muçulmano e hoje em dia salientar que é bósnio mas europeu, sublinhando a necessidade de o seu país pertencer à Europa, alargando finalmente as suas pertenças identitárias às raízes balcânicas.
Quando analisa a situação e o contexto na antiga Jugoslávia e nos Balcãs, nota-se que tem conhecimentos profundos sobre a matéria e que não escreve sem argumentos e seguindo as tendências que estavam em vigor na década em que a obra original foi publicada (final dos anos noventa).
Dividida em quatro partes "A minha identidade, as minhas pertenças", "Quando a modernidade vem do Outro", " O tempo das tribos planetárias" e "Como domesticar a pantera", esta colectânea de ensaios discute não apenas a identidade, como a visão do Outro (ao mesmo tempo como perigo e ameaça e como alguém que desperta interesse, curiosidade e desejo de o conhecermos), a globalização e a sua (in)evitabilidade no mundo moderno, e a tentativa de se reconciliarem estes conceitos "problemáticos" hoje em dia, para as identidades não se tornarem "assassinas". Esta característica da identidade começa a ser preocupante quando um dos seus elementos (étnico, cultural, linguístico ou religioso) é exagerado e sobrevalorizado, mas ainda assim, Maalouf nunca recomenda que se deve esquecer ou apagar a identidade enquanto tal, apenas deve reflectir-se sobre ela de uma forma mais adequada à sociedade contemporânea em que vivemos.
Com uma linguagem muito simples e acessível para os leitores de todos os níveis de escolarização e de todas as faixas etárias, com metáforas originais e ideias interessantes, As Identidades Assassinas não representa em absoluto uma leitura fácil e unívoca, oferecendo sempre múltiplos e novos sentidos e significados de interpretação e compreensão.