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martes, 23 de octubre de 2012

Música que transcende e une uma geração

Filme: " Orquestra Geração"
De Filipa Reis, João Miller Guerra Géenro. Documentário/drama (participação no festival Doclisboa 2011)
Duração 63 min.
Local: Cinema city Classic Alvalade
Inspirada no trabalho da Orquesta Simfónica Simón Bolívar de Venezuela,  fundada em 1978,  e direccionada aos jovens músicos que pretendem atingir o alto nível de qualidade na sua vida profissional, em Portugal em 2007  surge uma iniciativa semelhante. a de acompanhar o desenvolvimento, crescimento e integração de crianças e jovens através da música. O filme, retratando pequenos excertos das vidas e dos percursos dos jovens músicos e dos seus professores, apresenta ao espectador esta ideia bonta e muito motivadora da escola que não se preocupa apenas com produzir profissionais competentes na sua área, como também com as suas personalidades e uma correcta integração social num país cada vez mais multicultural e multinacional.
A música é o denominador comum que une e acompanha o dia-a-dia de um grupo de adolescentes com cerca de catorze anos de idade, que se assemelham pela sua situação económica (classe média), os seus interesses, desejos, preocupações, sonhos, ideas.  A dedicação à orquestra e aos ensaios ensina este grupo de jovens a crer num mundo melhor, a crescer tendo uma opção correcta para as suas vidas, a tere planos realistas, a esforçar-se de forma a conseguirem o que desejam. Todos eles crescem na Amadora, zona que muitas vezes é considerada problemática e desagardável, mas nenhum deles se decide a seguir o modelo negativo pelo qual esta zona é conhecida e tudo isso graças à grande devoção pela música e ao seu relacionamento com os amigos e professores.
Diversos pelas suas origens (Portugal, Cabo Vere, Roménia), estes adolescentes através da Orquestra Geração cultivam as suas amizades, marcam um forte sentido de pertença ao gupo, encontram um elemento chave para a construção e descoberta da sua identidade e mundividência.
 Embora no fim do filme se diga que o surgimento desta orquestra se deve ao seu precursor latinoamericano, tal vez explicar um pouco a história deste projecto concreto fizesse falta no filme, para o público ter uma imagem mais completa da sua missão e importância na sociedade.
O que chama a atenção no filme é a forma em que os professores se relacionam com os seus formandos, que rompe um pouco o conceito traddicional daa escola e das hierarquias. Além de serem excelentes docentes e de mostrarem um grande profissionalismo, eles são grandes pedagogos que desenvolvem uma relação próxima com os alunos, ajudando-os a expressarem e salentarem a sua própria forma de pensar, de sentir e de expressar as suas emoções. No jogo em que os alunos se colocam em círculos e dão a sua opinião sobre determinados temas das suas vidas não há respostas certas e erradas, cada um deles tem o seu lugar, o seu direito de se inscrever no mundo que o rodeia. Entre as opiniões dos meninos e meninas há certamente ideias estereotipadas e frases que "soam bem" num determinado contexto tais como "a música é vida" ou "a música é arte", embora haja respostas mais criativas e originais como nomeadamente a ideia do rapaz romeno de viver numa floresta rodeado de animais.  Por vezes surpreende-nos a maturidade de certos pensamentos "Sou feliz porque posso ver" e a reacção da professora que impede que se goze com o defeito físico da menina de óculos de uma forma muito clara e pedagógica. Outra resposta que vale a pena salientar no discurso destes jovens mú´sicos é "Não tenho tudo o que preciso, mas amo o que tenho". Esta abordagem na relação professores-alunos revela ao público as inquietações, a motivação, os medos, as alegrias e os planos de uma geração de adolescentes, movidos por um forte desejo de se realizarem fazendo aquilo que gostam e que lhes faz sentirem-se plenos e desenvolvidos.
O que há que salientar também é uma visão bonita e bastante objectiva da comunidade ortodoxa, especifiacmente romena em Portugal (são imigrantes muito integrados, falam fluentemente a língua portuguesa, têm um grande dom paar a música, agradecem a Portugal a oportunidade de concretizarem as suas ideias, são profundamente religiosos, rezam antes de comer, frequentam as liturgias etc.) Esta imagem positiva contrapõe-se ao estereótipo que se generalizou sobre os romenos como um conjunto de ladrões, mendigos ou prostitutas.
O que não se enquadra numa visão nobre e encorajadora que o filme pretende mostrar, é a história sobre a polícia que conta o menino caboverdiano, embora essa possa ser uma pequena indicação dos problemas que esta comunidade tem em Portugal e da sua integração.
Unidos pela música e pelos valores, estes jovens continuam a esforçar-se e a ir ao encontro dos seus sonhos, tendo alguns deles conseguido entrar no Consrvatório Nacional.
Tecnicamente bem feito e com uma história muito emocionante, o filme pore´m +arece terminar muito bruscamente e parece deter-se demasiado em alguns pormenores que podem não ser tão importantes como nomeadamente o que é que os meninos lancham, como brincam na praia etc.
Em consequência da pergunta "como me vejo daqui a dez anos", além de dizer-se numa frase no fim do filme, que alguns já estudam música, poder-se-iam mostrar os rostos desses alunos, para o espectador perceber melhor as suas emoções como resultado desta garnde e enriquecedora experiência na Orquesta Geração.
Esta é uma obra de arte que pode ter um grande impacto na população juvenil, que sem dúvida vale a pena ver e apreciar.