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sábado, 15 de diciembre de 2012

s a eterna atualidade de Anna Karenina

BEM-VINDOS AO APAIXONANTE MUNDO DE LETRAS PRECIOSAS E IMAGENS ENCANTADORAS, SEJAM LEITORES, OBSERVADORES, CRÍTICOS E PALAVRÓFILOS, LEIAM, LEIAM, LEIAM. MESMO QUE UM PROVÉRBIO POPULAR SÉRVIO DIGA QUE "A CABEÇA É MAIS VELHA QUE O LIVRO", ISTO É QUE O PENSAMENTO É MAIS ANTIGO QUE A ESCRITA, LEIAM, ISSO AGUÇA O ESPÍRITO, ENRIQUECE O VOCABULÁRIO E A ALMA, DESPERTA A CURIOSIDADE E FAZ VOS PALAVRÓFILOS CURIOSOS TAMBÉM...
Título do filme: Anna Karenina
duração: 130 min.
Género: Drama
Com: Aaron Johnson, Keira Knightley, Kelly Mc Donald, Jude Law
Realizador: Joe Wrught
Cinema: UCI, Dolce Vita Tejo

Mais uma versão  cinematográfica da célebre história de amor trágico da mulher adúltera em pleno século XIX na Rússia imperial, dividida entre a lei da sociedade e de Deus, o amor incondicional pelo seu filho e os sentimentos pelo seu amante. Mais uma visão artística do drama humano, das facetas do amor, da hipocrisia, do respeito e desrespeito das regras e convenções sociais.
Muito originalmente imaginada como uma peça de teatro dentro do filme, esta versão de Anna Karenina merece uma atenção especial e tem como objectivo mostrar a vida e o mundo como um grande teatro, em que as pessoas são os protagonistas e criadores do seu próprio drama, como também revela a ideia de se salientarem a falsidade e a farsa das pessoas que rodeiam Anna, o seu marido Alexei Alexandrovich e o conde Vronsky. Presta-se muita atrenção aos pormenores (olhares das damas nos bailes, os seus risos, a sua forma de andar, de se vestir), o que não apenas fala a favor da qualidade da realização, como também enquadra o espectador melhor no contexto histórico, social e cultural da obra, mostrando ao mesmo tempo a universalidade do tema.
Os trajos, a música, a excelente actuação e a caracterização bastante aprofundada de algumas personagens (nomeadamente Levin, jovem idealista, filósofo e anti-conformista que deseja ter a felicidade ao lado da mulher amada), o marido de Anna 8um fariséu políticamente correcto que respeita as leis e as convenções sociais ao pé da letra, vivendo muito  bem o seu papel de vítima face aos círculos sociais em que se movimenta).
O filme peca na insuficiente caracterização da figura do conde Vronsky, cujo amor por uma mulher casada perde a sua dimenssão trágica (no romance ele vai à guerra e morre), reduzindo-o apenas a um frívolo sedutor. A tragédia de Anna não reside tanto no facto de ser rejeitada pela sociedade muito mais imoral que ela, mas na sua impossibilidade de reconciliar o seu papel de mãe e o seu amor pelo amante, sendo constantemente crucificada entre o filho legítimo e os seus sentimentos proibidos, e uisso não parece ser bastante sublinhado ensta versão cinematográfica.
Sincero, forte, artisticamente bem sucedido, este é um dos filmes que sem dúvida vale a pena ver e reflectir sobre ele, porque novamente põe a tónica no amor, a capacidade da entrega e de (auto) sacrifício, o adultério , o pecado, a rebeldia e o conformismo, destacando mais uma vez que os clássicos literários são uma fonte inesgotável de inspiração para os artistas.