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jueves, 27 de diciembre de 2012

conto na lusofonia, cruzamentos, actualidades e culturas plurifacetadas

BEM-VINDOS AO APAIXONANTE MUNDO DE LETRAS PRECIOSAS E IMAGENS ENCANTADORAS, SEJAM LEITORES, OBSERVADORES, CRÍTICOS E PALAVRÓFILOS, LEIAM, LEIAM, LEIAM. MESMO QUE UM PROVÉRBIO POPULAR SÉRVIO DIGA QUE "A CABEÇA É MAIS VELHA QUE O LIVRO", ISTO É QUE O PENSAMENTO É MAIS ANTIGO QUE A ESCRITA, LEIAM, ISSO AGUÇA O ESPÍRITO, ENRIQUECE O VOCABULÁRIO E A ALMA, DESPERTA A CURIOSIDADE E FAZ VOS PALAVRÓFILOS CURIOSOS TAMBÉM...
ROCHETA, Maria Isabel, NEVES, Margarida Braga (2012) O Conto na Lusofonia 2 Antologia crítica, CLEPUL, Lisboa, 167 pp.
 Quando se olha para o título desta colectânea, à primeira vista dir-se-ia que se trata de "mais um livro da mesma série" ou ainda de mais um sucesso entre os leitores que desejam conhecer mais profundamente o rico e multifacetado mundo lusófono: mundo literário numa língua que serve como "pátria" de oito identidades diferentes culturais, políticas, linguísticas e sociais, fazendo talvez com que este conceito unificador se fragmente por dentro em várias "micro-pátrias", algumas das quais ainda procuram a sua afirmação e visibilidade no mapa cultural e literário do mundo, um mundo cada vez mais globalizado e uniforme.
Após uma leitura mais atenta ver-se-á que o leitor tem nas suas mãos uma obra de arte única e irrepetível, que trata os temas universais como o amor, a identidade nacional, os dramas familiares, a rotina, o preconceito e a ignorância, o lugar do homem e da mulher, as consequências da colonização e descolonização, as ilusões das crianças, a miséria, a própria criação literária e a autoria de uma obra, de uma forma original, aliciante e intrigante. Reflecte-se sobre a felicidade e união familiar, sem a despótica e ao mesmo tempo impessoal figura do pai, a submissão da mulher num casamento em que o sucesso e o prestígio do marido são as únicas coisas que importam, a impossibilidade de uma criança curar a sua vista devido ao alcoolismo do pai e a sua consolação nos finais felizes das telenovelas, os "estigmas pós-coloniais" , a ignorância enraizada numa sociedade que leva aos estereótipos, discriminações e preconceitos, numa África recentemente liberta, que procura a sua esperança num futuro melhor, é importante o papel da memória (pessoal e colectiva), da identidade, do enraizamento e a desnaturação, a transitoriedade da celebridade e da vida humanas.
Todos estes contos, quer que se trate das celebres realizações dos autores consagrados, ou ainda das publicações inéditas, deixam quem lê com a vontade de ler mais e de conhecer a vida e a escrita dos autores, os pormenores sobre as técnicas narrativas, a construção das personagens e sobretudo da realidade nos países lusófonos: Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, São Tomé , salientando que todos estes autores têm um denominador comum- a pertença a lusofonia, sem demasiada mirtificação e mistificação deste termo.
De entre os autores representados nesta antologia destacam-se os célebres nomes como Machado de Assis, Agustina Bessa-Luis, David Mourão-Ferreira, Mário de Andrade, Mia Couto, Ondjaki, embora também se atribua o devido lugar aos autores reconhecidos nos seus meios locais (Albertino Bragança, Nélida Piñon) que através da sua escrita ainda procuram uma afirmação fora das fronteiras do seu país, e a lusofonia parece ser um excelente meio para permitir que se concretize a utopia de um mundo no qual o valor estético e literário da obra está por cima dos traços identitários nacionais, raciais, sexuais etc.
Seguindo a mesma estrutura e ideia das antologias anteriores, esta também acompanha todos os contos de uma leitura feita por um especialista, tais como Beatriz Weigert, Susana Ventura, Inocência Mata, Jorge Martins Trindade, Conceição pereira, que abrem mais uma perspectiva de interpretação e servem como um guião de descoberta de significados escondidos em cada uma destas breves obras literárias, deixando ao leitor suficiente espaço para criar as suas próprias ideias a partir da leitura e das questões que lhe possam surgir. Este formato da colectânea é útil tanto para o público escolar e universitário, como para os que já possuem uma formação em letras, porque a linguagem que os leitores críticos usam para darem o seu contributo para o esclarecimento dos contos é simples, clara e compreensível, não descurando, porém o rigor de uma investigação científica.
diferentes em tempos cronológicos em que surgiram (embora a maioria remeta para o século XX e a contemporaneidade) e pelos critérios temáticos que abordam, mas unidos pela lusofonia e pelo elevado valor estético, estes contos representam recortes das realidades dos países de expressão portuguesa, e pérolas de sabedoria, beleza e universalidade das literaturas que se criam e cultivam neste espaço cultural vasto e complexo, às vezes não demasiado conhecido para o leitor estrangeiro que os aprecia, lê e analisa.