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sábado, 22 de diciembre de 2012

os Miseráveis Víctor Hugo

BEM-VINDOS AO APAIXONANTE MUNDO DE LETRAS PRECIOSAS E IMAGENS ENCANTADORAS, SEJAM LEITORES, OBSERVADORES, CRÍTICOS E PALAVRÓFILOS, LEIAM, LEIAM, LEIAM. MESMO QUE UM PROVÉRBIO POPULAR SÉRVIO DIGA QUE "A CABEÇA É MAIS VELHA QUE O LIVRO", ISTO É QUE O PENSAMENTO É MAIS ANTIGO QUE A ESCRITA, LEIAM, ISSO AGUÇA O ESPÍRITO, ENRIQUECE O VOCABULÁRIO E A ALMA, DESPERTA A CURIOSIDADE E FAZ VOS PALAVRÓFILOS CURIOSOS TAMBÉM...

HUGO, Victor  (1977) Os Miseráveis V Vols. , Circulo de Leitores, Lisboa

Publicada pela primeira vez em 1865 em várias cidades europeias em simultâneo e vendida numa tiragem extraordinária para a época, esta obra sem dúvida representa uma crônica bastante pormenorizada da sociedade francesa do século XIX. Desenvolvida entre a batalha de Waterloo de 1815 e os motins de Paris de 1838, a acção deste romance  gira em torno de algumas personagens centrais (Jean Veljan, Cosette, Marius e muitos outros) e inúmeras personagens secundárias, mostrando toda a indignidade humana, a miséria, a pobreza, as injustiças sociais (condenas à prisão por roubos de pão porque os familiares t~em fome), a vida dos criados, dos humilhados, dos ofendidos, da burguesia e do povo, podendo cada um dos caracteres do livro merecer a alcunha de "miserável", quer que se trate meramente da sua condição económica, quer da sua degradação moral.
Esta obra questiona também os ideais e as consequências da Revolução francesa, a desilusão dos ideais, e de diferentes "ismos" políticos, reflecte sobre várias ideias filosóficas e religiosas, dá a sua opinião sobre a obra de alguns dos mais célebres pensadores iluministas, nomeadamente Rousseau, ironiza alguns defeitos humanos, debruça-se sobre a vida parisiense da época, enquadrando o leitor perfeitamente no  contexto sociocultural do século XIX, interrogando-se o que é ser romântico e qual deve ser a posição da arte e da literatura perante a sociedade.
Entre algumas das grandes reflexões dentro da obra, poder-se-iam escolher a que diz respeito à pobreza na juventude, que apura a alma e prepara-a para fazer bem.
No que se refere á estrutura narrativa, é interessante como é que o autor implica com o leitor, mantendo a sua atenção, recordando-o de algumas situações previamente abordadas no romance e envolvendo-o mais profundamente na acção.
Com uma excelente caracterização das personagens, (o mau pobre, Mário, Cosette), a devida atenção qyue se presta aos pormenores, no falar, na descrição das situações, da roupa, de acontecimentos históricos, Os Miseráveis merece o seu lugar entre os grandes clássicos da literatura francesa e universal.