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lunes, 28 de enero de 2013

drama familiar durante o tsunami passado para o ecrã grande

BEM-VINDOS AO APAIXONANTE MUNDO DE LETRAS PRECIOSAS E IMAGENS ENCANTADORAS, SEJAM LEITORES, OBSERVADORES, CRÍTICOS E PALAVRÓFILOS, LEIAM, LEIAM, LEIAM. MESMO QUE UM PROVÉRBIO POPULAR SÉRVIO DIGA QUE "A CABEÇA É MAIS VELHA QUE O LIVRO", ISTO É QUE O PENSAMENTO É MAIS ANTIGO QUE A ESCRITA, LEIAM, ISSO AGUÇA O ESPÍRITO, ENRIQUECE O VOCABULÁRIO E A ALMA, DESPERTA A CURIOSIDADE E FAZ VOS PALAVRÓFILOS CURIOSOS TAMBÉM...

Filme: o Impossível (The Impossible)
Cinema: Lusomundo Colombo
Género: Drama
Duração: 114 minutos
Com: Naomi Watts, Ewan McGregor, Tom Holland, Marta Etura, Russell Geoffrey Banks
Realização: Juan Antonio Bayona

Quando se diz que uma família unida é capaz de sobreviver a todas as tempestades, isso pode soar como um cliché verbal gasto, mas quando se trata do uso literal desta expressão, descrevendo o drama de uma família que sofreu as consequências do tsunami na Tailândia em 2004, vê-se que nesta frase há uma grande verdade. Maria, Henry, Lucas, Thomas e Simon, são os protagonistas desta história inspirada em acontecimentos verídicos, que certamente não deixará indiferente a ninguém, obrigando os espectadores a reflectirem sobre o valor da vida, da felicidade, da solidariedade e da coragem.
Imaginando que passariam umas férias do Natal exóticas e diferentes, a família começa o seu descanso junto da piscina, quando inesperadamente aparece o tsunami e leva o marido e dois filhos de Maria, enquanto ela fica sozinha com Lucas, o menino mais velho, que neste processo rápido de crescimento emocional e  psicológico aprende a enfrentar tudo, a lidar com a dor, a esquecer das suas necessidades, medos, preocupações e sofrimentos, para salvar, apoiar e consolar a mãe nos seus momentos difíceis.
Não pensando apenas na mãe e nos seus familiares desaparecidos, que julga mortos, Lucas tem a sensibilidade de ajudar muitas pessoas desconhecidas, procurando os nomes dos membros das famílias desconsoladas.
Por sua vez Henry e os outros dois meninos fazem o mesmo, buscando incansavelmente a sua paz e felicidade ao lado dos que amam e depois de vários contratempos, dramas e desencontros, conseguirão reunir a família e ultrapassar o grande desgosto e valorizar a beleza da vida.
Paralelamente com esta história, acontece o desaparecimento do menino Daniel, absolutamente desconhecido para esta família até ao momento do tsunami.  através da sua situação é-nos apresentado um dilema moral: salvar o menino ou seguir apenas o próprio instinto de sobrevivência, sendo felizmente escolhida a opção mais humana. Lucas e Maria preocupam-se com a criança desaparecida independentemente da inexistência de quaisquer laços sanguíneos entre eles e quando Maria está no hospital a lutar pela própria vida, Lucas ficará genuinamente feliz ao ver o pequeno nos braços de um familiar. A mulher desconhecida ao lado da cama de Maria (também mãe preocupada com os que ama) poderia ser mais um exemplo de que a grande desgraça partilhada une as pessoas e aproxima-as umas das outras, que dá esperanças e forças e inspira optimismo.
Ainda que o filme apresente uma visão bastante secularizada do Natal, que se relaciona apenas com férias e prendas, o que fica na celebração do Natal em que a Tailândia foi afectada pela catástrofe natural são os valores profundamente cristãos da partilha, sacrifício, solidariedade (quando o homem desconhecido empresta o seu telefone ao Henry para ele poder ligar à família e dizer que está bem), a ideia da esperança apesar das doenças, medos e proximidade da morte.
Uma excelente maquilhagem que dá uma nota bastante realista ao filme todo, a magnífica actuação da actriz principal e das crianças concedem a esta história verídica um valor artístico e estético pelo qual sem dúvida é recomendável ver este filme.