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lunes, 11 de febrero de 2013

drama de uma inmigrante turca na Alemanha

BEM-VINDOS AO APAIXONANTE MUNDO DE LETRAS PRECIOSAS E IMAGENS ENCANTADORAS, SEJAM LEITORES, OBSERVADORES, CRÍTICOS E PALAVRÓFILOS, LEIAM, LEIAM, LEIAM. MESMO QUE UM PROVÉRBIO POPULAR SÉRVIO DIGA QUE "A CABEÇA É MAIS VELHA QUE O LIVRO", ISTO É QUE O PENSAMENTO É MAIS ANTIGO QUE A ESCRITA, LEIAM, ISSO AGUÇA O ESPÍRITO, ENRIQUECE O VOCABULÁRIO E A ALMA, DESPERTA A CURIOSIDADE E FAZ VOS PALAVRÓFILOS CURIOSOS TAMBÉM...
Filme: "A Estrangeira" (Die Fremde)
Género: Drama
Duração: 119 min.
Ano de realização: 2010
Realização: Feo Aladag
Com: Sibel Kekilli, Nizam Schiller, Derya Alabora
Festival do Cinema Alemão
Cinema: São Jorge
Partindo do facto que na segunda metade do século XX o número de inmigrantes da etnia turca ter crescido significativamente na Alemanha, o filme apresenta-nos a história de Umay, uma jovem turca nascida e criada neste país, mas casada em Istanbul, que pretende fugir da violência que ela e o filho sofrem por parte do seu marido e decide voltar para a Alemanha à casa paterna, onde não é bem-vista. Pensando que se trata de uma visita esporádica, os pais e os irmãos no início tratam-na com carinho e proteção, para mais tarde a acusarem de comportamentos impróprios de uma esposa submissa e honrada. Apesar da violência doméstica e dos maus tratos, nem o pai da Umay, nem toda a sua família mostram ter um mínimo de paciência e compreensão para o seu sofrimento e dor e pretendem obrigá-la a voltar para o lar do marido apenas para não "manchar a honra e o bom nome familiar". Embora a sua irmã mais nova esteja grávida antes do casamento, os membros da família da Umay têm critérios morais duplos, tratando o erro da irmã como um pecado menos grave que acontece na juventude e organizando-lhe um casamento alegre e grande, enquanto para a filha mais velha têm apenas palavras de condenação e rejeição. Seguindo um modelo estereotipado apropriado para as histórias de amor proibido para as praticantes do Islão, a Umay apaixona-se pelo Stipe (que pelo nome poderia ser um imigrante croata, embora isso não se refira no filme), um jovem tolerante, belo, bom, sem preconceitos, que gosta do seu filho, que o trata com carinho e atenção e que está disposto a dar-lhe todo o apoio para ela começar uma nova vida. Porém, a numerosa e forte família turca não perdoa semelhante transgressão das leis ancestrais e pretende dar cabo da vida da protagonista, sendo em vez dela acidentalmente esfaqueado o seu filho.
O filme termina com uma expressão de intensa e genuína dor na cara da jovem rebelde e com um emocionante grito, situando a dor da mãe por cima da sua paixão proibida, o seu desejo de se comportar como uma mulher europeia independente e por cima das leis da comunidade islâmica na Alemanha.
Muito mais do que uma história de amor contrariado e do desejo de uma mulher de conquistar a sua liberdade, este é um filme que levanta problemas e debates acerca da (não) integração da Diáspora islâmica nos países ocidentais, reforça a argumentação contra a possível adesão da Turquia à União Europeia (embora esse não seja o tema do filme), questiona as tradições, a identidade as pertenças culturais, a adaptação, reflecte a posição do indivíduo no mundo, discute os direitos e deveres da mulher na sociedade contemporânea.
Com uma excelente actuação da protagonista,  uma embora com um argumento bastante previsível e fraco em alguns momentos da narração, este é um filme que desperta emoções fortes e problematiza temas sempre actuais como o divórcio, o adultério, a submissão dos filhos aos pais, a violência a nível familiar e não deixa ninguém indiferente.