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sábado, 14 de septiembre de 2013

O Gosto do Saké resenha

BEM-VINDOS AO APAIXONANTE MUNDO DE LETRAS PRECIOSAS E IMAGENS ENCANTADORAS, SEJAM LEITORES, OBSERVADORES, CRÍTICOS E PALAVRÓFILOS, LEIAM, LEIAM, LEIAM. MESMO QUE UM PROVÉRBIO POPULAR SÉRVIO DIGA QUE "A CABEÇA É MAIS VELHA QUE O LIVRO", ISTO É QUE O PENSAMENTO É MAIS ANTIGO QUE A ESCRITA, LEIAM, ISSO AGUÇA O ESPÍRITO, ENRIQUECE O VOCABULÁRIO E A ALMA, DESPERTA A CURIOSIDADE E FAZ VOS PALAVRÓFILOS CURIOSOS TAMBÉM...

Filme: "O Gosto do Saké"
Género: Drama
Duração:112 min.
 Realização:  Yasujirô Ozu
Com. Chishû Ryû, Shima Iwashita, Keiji Sada
Cinema: Espaço Nimas

O filme relata a história de uma família provavelmente de classe média no Japão dos anos sessenta do século passado. O pai é viúvo e idoso, uma das suas filhas é casada, outra solteira e o seu filho também solteiro vive com eles. Com o filho a trabalhar muito e a filha mais nova a tratar das tarefas domésticas e a fazer-lhe companhia, a sua solidão não parece tão pesada e profunda. Na sua rotina quotidiana, o pai parece não ver que a sua filha Michiko já tem 24 anos e que já deve pensar em casamento. Quando os seus amigos (e companheiros do saké) lhe perguntam por ela, responde sempre que ela ainda não está pronta para isso, sem sequer saber a opinião dela a esse respeito. No fim do filme, chega-se à descoberta de que a jovem está apaixonada por um rapaz que, mesmo tendo estado interessado nela, após a sua constante rejeição, encontra outra noiva. O pai empenha-se em encontrar-lhe um marido conveniente para ela, tentando primeiro ser benevolente e sem obrigá-la. A submissão da filha é tal que aceita respeitar a vontade paterna e casar sem amor. Com a saída de Michico de casa, o pai consola-se com o saké e mergulha ainda mais na sua solidão.
O filme coloca várias questões importantes: a rejeição do envelhecimento e o facto de os filhos crescerem, a submissão da mulher no meio patriarcal, a solidão, a monotonia da vida quotidiana, a posição dos filhos em relação à autoridade paterna, a felicidade, o casamento. É interessante que todas as figuras femininas no filme são excelentes donas de casa, submissas aos maridos, quase não se vêem quando andam por casa, o que dá a ideia de uma cultura marcadamente masculina em que elas apesar de tudo não são infelizes nem discriminadas.Os homens, porém, desfrutam dos moments de descanso com oas amigos, vendo transmissões directas de eventos desportivos, conversando e bebendo saké, que neste filme não é apenas uma bebida: é um ritual, fio condutor da história, forma de os amigos se abrirem mais uns com os outros procurando consolação e alívio. É interessante o episódio do capitão e o seu amigo que no bar ao som da marcha e acompanhados da bebida lamentam a perda japonesa da Segunda Guerra Mundial, que é uma questão muito dolorosa para esta cultura.
Os ambientes (imagens da cidade e das casas) estão pintados de cores escuras, a lentidão dos movimentos da câmara, o ritmo pausado dos diálogos e cenas contribuem ainda mais para o reforço da solidão, melancolia, abandono e inevitabilidade da velhice, porém tudo isto deixa um tom sufocante nesta obra cinematográfica e impede a sua apreciação completa,