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martes, 11 de junio de 2013

só precisamos de amor

BEM-VINDOS AO APAIXONANTE MUNDO DE LETRAS PRECIOSAS E IMAGENS ENCANTADORAS, SEJAM LEITORES, OBSERVADORES, CRÍTICOS E PALAVRÓFILOS, LEIAM, LEIAM, LEIAM. MESMO QUE UM PROVÉRBIO POPULAR SÉRVIO DIGA QUE "A CABEÇA É MAIS VELHA QUE O LIVRO", ISTO É QUE O PENSAMENTO É MAIS ANTIGO QUE A ESCRITA, LEIAM, ISSO AGUÇA O ESPÍRITO, ENRIQUECE O VOCABULÁRIO E A ALMA, DESPERTA A CURIOSIDADE E FAZ VOS PALAVRÓFILOS CURIOSOS TAMBÉM...

Filme: Só Precisamos de Amor

Género: Drama

Duração: 116 min.

Realização: Susanne Bier

Com: Kim Bodnia, Molly Blixt Egelind, Pierce Brosnan

Cinema: El Corte Inglés

Depois de voltar da última sessão de quimo-terapia e de receber a feliz notícia de que está curada, Ida volta para casa pensando que iria alegrar o seu marido Life, de quem está segura que a aceita e ama tal como é. Em vez disso, apanha-o com uma bela e jovem colega de trabalho. Como desculpa ouve a resposta do marido que estava cansado dela e da sua doença e que precisava de satisfazer as suas necessidades físicas. Indignada e triste, decide ir sozinha à Itália, para assistir ao casamento da filha. Depois de um pequeno acidente de carro no aeroporto, conhece Philipp, a quem considera a pessoa mais antipática e rabugenta que jamais tinha conhecido. Além de ser o pai do noivo da filha de Ida, é um homem de negócios com muito sucesso na sua carreira, que parece inacessível e rude, escondendo na verdade a sua vulnerabilidade e tristeza por ter perdido a esposa há muitos anos.

O casal principal nesta história, os jovens que se deveriam casar e que deveriam estar radiantes de felicidade, estão atormentados pelas suas dúvidas, fingimentos, desejos de deixar uma boa impressão perante os outros, sufocando a sua relação com trivialidades (porque é que em todo o tempo das preparações do casamento não tinham relações, se ele ainda a deseja etc.), para no final resultar que o noivo é homossexual, frustrado por não ter tido a devida atenção e amor paternal, e que se pretendia casar apenas para criar uma imagem de filho perfeito. A rapariga, também, sendo contra o casamento e bastante superficial nos seus projectos de se casar, quer fazê-lo sem ela mesma saber a razão. Enquanto os jovens se revelam como pessoas sem força nem desejo para enfrentar os desafios da vida, sem sonhos nem ideais, sem motivação nem um alvo por que lutar, os mais velhos e maduros, Ida e Philipp já sabem claramente o que querem, querem dar o seu apoio, amizade, compreensão. Os dois redescobrem como lidar com a dor, a perda, a indiferença e o preconceito dos outros. Ela, apesar de ser cabeleireira numa localidade pequena na Dinamarca e apesar de ter uma vida bastante recolhida, decide aventurar-se e partir em direcção da Itália, desprezar o seu marido e reconstruir a sua vida, sem saber ainda se o seu cancro voltou a aparecer ou os sintomas foram apenas um falso alarme.

Paralelamente com estas duas histórias de amor desenrola-se a aventura entre Life e a sua jovem amante, que se baseia apenas numa atracção física temporária, o que se revela no dia do casamento da filha de Life, em que ela bebe muito, comporta-se como uma mulher vulgar, tentando seduzir o próprio filho do seu amante.

Mais do que um filme de amor, é uma obra que nos faz reflectir sobre as questões como: onde é que termina o amor e começa o desejo de que os outros tenham pena dos nossos problemas, se mais vale a solidão ou um casamento que cumpre com as convenções sociais, o que é necessário para uma relação funcionar…

Mesmo que pareça estereotipado em alguns aspectos, o filme fala de relações familiares arruinadas, do egoísmo, da amizade, das falsas aparências, de que o amor não é mito e que é necessário um grande esforço para uma pessoa se conhecer a si própria e aos outros.

Com umas esplêndidas imagens da Itália,  e uma boa actuação de Pierce Brosnan, este é um bom passatempo para um fim da tarde, como também é uma boa escolha para os que gostam de perceber melhor os seres humanos com todos os seus defeitos, preocupações sonhos e temores.