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sábado, 12 de octubre de 2013

"Eu e Tu" resenha do filme

BEM-VINDOS AO APAIXONANTE MUNDO DE LETRAS PRECIOSAS E IMAGENS ENCANTADORAS, SEJAM LEITORES, OBSERVADORES, CRÍTICOS E PALAVRÓFILOS, LEIAM, LEIAM, LEIAM. MESMO QUE UM PROVÉRBIO POPULAR SÉRVIO DIGA QUE "A CABEÇA É MAIS VELHA QUE O LIVRO", ISTO É QUE O PENSAMENTO É MAIS ANTIGO QUE A ESCRITA, LEIAM, ISSO AGUÇA O ESPÍRITO, ENRIQUECE O VOCABULÁRIO E A ALMA, DESPERTA A CURIOSIDADE E FAZ VOS PALAVRÓFILOS CURIOSOS TAMBÉM...

Filme: Eu e Tu
Género: Drama
Duração:  103 min.
Realizador:  Bernardo Bertolucci Guião: Umberto  Contarello (baseado no romance de Niccolò Ammaniti
Com: Tea Falco, Jacoppo Olmo Antinori, Sonia Bergamasco
 Baseado no romance homónimo de Niccolò Ammaniti, este filme conta um episódio da vida de Lorenzo Cuni, um adolescente de catorze anos, filho de pais abastados, mas divorciados. Ele é tímido, anti-social, na escola estuda bem interessa-se pelos animais, lê muito (especialmente livros de vampiros), mas não tem o mínimo desejo de ter amigos e de comunicar com a sua geração. Embora se dê bem com a mãe, saia com ela a jantar e lhe conte tudo, por vezes sente-se sufocado e pretende mostrar-lhe que pode fazer tudo sozinho. Para o curar da solidão, a mãe resolve mandá-lo à montanha com os seus amigos da escola, mas em vez disso, o menino fica escondido na cave da sua casa, passando o tempo a ouvir música, tratar das suas formigas, ler livros sobre insectos e vampiros e jogar jogos no computador. Aparentemente as primeiras horas da sua liberdade correm bem, até que num momento aparece Olívia, a sua meia-irmã mais velha, antigamente uma grande fotógrafa, agora sem dinheiro e com problemas da tóxico-dependência. Através de vários conflitos e dificuldades na comunicação, os dois irmãos, que mal se conheciam aprendem a construir confiança, amizade e apoio até tal ponto de Lorenzo a ajudar no momento da crise sem droga e de Olivia ser a sua guia no processo de crescer e de amadurecer. Olivia era uma filha que nunca suportou bem o divórcio dos pais, desprezou o pai por se ter casado com a mãe de Lorenzo, o que a levou a revoltar-se contra as convenções e entrar no mundo da droga e das aventuras amorosas curtas, que a fizeram perder o respeito por ela própria, a auto-estima e a tornar-se indiferente, rabugenta e má consigo mesma e com os outros. Por sua vez, Lorenzo é muito mimado e sobre-protegido, e não sabendo nada da vida real, corre o risco de se tornar isolado e emocionalmente imaturo. A única pessoa a quem Lorenzo verdadeiramente ama, antes de conhecer a irmã é a sua avó, que está doente no hospital, e a quem ele visita, conta-lhe histórias e dedica-lhe carinho e atenção. A mesma avó recorda-se de Olívia a ter levado passear a uma outra cidade e que essa experiência tinha sido maravilhosa.
Entre irmãos nasce pela primeira vez o sentimento da proximidade, desaparecem barreiras e medos, cria-se uma  verdadeira cumplicidade. O filme termina com um abraço entre Lorenzo e Olivia, com muito apoio mútuo e com uma promessa de repetirem a experiência no ano seguinte, ficando prometido que ela nunca mais se drogaria e que ele nunca mais se esconderia. O sorriso final do rapaz significa que ele já cresceu e que pela primeira vez se sentiu útil, verdadeiramente feliz e pleno.
A estadia numa cave suja e escura foi para os dois uma viagem interior, um conhecimento dos desejos, medos e reocupações íntimas e uma grande descoberta da beleza do mundo lá fora, um óptimo remédio contra a solidão e os problemas que os atormentavam. Aparentemente ainda muito criança, Lorenzo sabe dar conselhos adequados à sua irmã, sobretudo em relação aos homens, e ali a sua maturidade começa a surpreender.
O filme poderia ter explicado melhor tanto medo que Lorenzo tinha das pessoas, porque o divórcio dos pais e uma mãe sobre-protectora não parecem um motivo suficiente para esses comportamentos. Muito menos se justifica o seu desejo de ver a fotografia da irmã nua e de guardá-la no livro que lê.
Há que salientar a excelente realização de Bertolucci e a magnífica actuação dos protagonistas. Esta é uma verdadeira obra de arte que faz pensar que há sempre uma forma optimista de olhar para o mundo.